Uma mãe de Metro Detroit, nos Estados Unidos,, Joelle Haley, liderou a doação de mais de 175 polvos de crochê para a UTI neonatal do Children’s Hospital of Michigan, em Detroit. Os brinquedos feitos à mão foram entregues aos bebês prematuros para que tivessem algo seguro para segurar e, assim, não puxassem as sondas de alimentação durante a internação.
A iniciativa envolveu mais de 100 voluntários da região e de outros estados, e surgiu após Haley saber da necessidade da unidade enquanto seu filho Kieran, nascido prematuro com 24 semanas de gestação, recebia cuidados médicos, segundo reportagem do site Click on Detroit.
A pediatra Claudia Drumond, especialista em home care pela empresa Saúde no Lar, explica que o comportamento está relacionado ao desenvolvimento neurológico e à adaptação motora dos bebês.
“ Bebês prematuros passam longos períodos na UTI neonatal, muitas vezes ligados a sondas de alimentação. Conforme ganham força e mobilidade, começam a movimentar braços e mãos de forma mais vigorosa, o que pode levá-los a tocar ou puxar os tubos ”, afirmou Claudia Drumond, em entrevista ao iG .
A médica acrescenta que, muitas vezes, o gesto está ligado também ao desconforto provocado pelos próprios dispositivos. “ A presença das sondas pode causar algum grau de incômodo ou estímulo sensorial diferente do que o bebê experimentaria naturalmente. Levar a mão à sonda pode ser tanto uma curiosidade motora quanto uma forma de aliviar desconforto local ", disse Drumond.
O risco de deslocamento das sondas inclui interrupção da nutrição adequada, estresse para o bebê e, em casos mais raros, aspiração do alimento para as vias respiratórias. Para reduzir esses riscos, as equipes médicas utilizam técnicas de fixação adequadas, posicionamento cuidadoso dos tubos e monitoramento constante pela enfermagem. Recursos de conforto, como mantas ou posicionadores, ajudam a manter os braços próximos ao corpo, simulando a postura intrauterina.
A retirada da sonda ocorre gradualmente, à medida que o bebê desenvolve coordenação entre sucção, deglutição e respiração, geralmente entre 34 e 36 semanas de idade gestacional corrigida.
*Estagiária sob supervisão