Autismo exige cuidado contínuo e abordagem multidisciplinar
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Autismo exige cuidado contínuo e abordagem multidisciplinar

O crescimento no número de diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA)  trouxe à tona um desafio que vai além da identificação precoce: estruturar um acompanhamento eficiente ao longo da vida. Em muitos casos, o cuidado envolve diferentes níveis de complexidade, tanto do ponto de vista clínico quanto emocional.

Embora o autismo seja caracterizado por alterações na comunicação, interação social e comportamento, pesquisas apontam que pessoas no espectro também apresentam maior vulnerabilidade a questões de saúde mental, especialmente quando o diagnóstico demora ou não há suporte contínuo.

Um levantamento conduzido por pesquisadores do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Pittsburgh, dentro do programa REAACT (Regulation of Emotion in Autistic Adults, Children, and Teens), reuniu dados internacionais que acendem um alerta.

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Entre os estudos analisados, uma meta-análise publicada na revista Molecular Autism revelou que cerca de 20% das crianças e adolescentes autistas relataram pensamentos suicidas no último ano, enquanto 10% disseram já ter tentado tirar a própria vida. Entre adultos no espectro, os índices são ainda mais elevados: 42% relataram ideação suicida e 18% tentativas, números significativamente superiores aos da população em geral.

Para especialistas, esses dados reforçam a necessidade de olhar para o autismo de forma mais ampla.

A questão não está apenas em diagnosticar, mas em garantir que o paciente tenha acompanhamento ao longo de toda a vida Explica a geneticista Fernanda Soardi, consultora em genética e genômica do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica, da Dasa.


Avanços da genética aceleram identificação

Diante da complexidade dos quadros, a genômica tem ganhado espaço como ferramenta importante na investigação do autismo, sobretudo nos casos associados a síndromes genéticas. Exames modernos, como painéis de sequenciamento por NGS (Next Generation Sequencing), análise do exoma completo e sequenciamento do genoma, permitem identificar alterações em regiões do DNA ligadas ao desenvolvimento neurológico.

Segundo especialistas, esses testes representam um salto significativo na precisão diagnóstica. Ao analisar desde conjuntos específicos de genes até todo o material genético do indivíduo, eles ajudam a encurtar um processo que antes podia levar anos.

Painéis genéticos conseguem avaliar simultaneamente centenas de genes relacionados ao neurodesenvolvimento, enquanto o sequenciamento do exoma, mesmo cobrindo cerca de 2% do genoma, detecta a maioria das variantes associadas a doenças. Já o sequenciamento genômico amplia ainda mais essa análise ao examinar todo o DNA.

No Brasil, esses exames já estão disponíveis e costumam ser solicitados por médicos como neuropediatras, psiquiatras infantis, geneticistas e pediatras. A coleta geralmente é feita por meio de sangue, mas também pode ocorrer por saliva ou swab bucal, dependendo do tipo de análise. O prazo para entrega dos resultados varia de duas a oito semanas, e a interpretação é realizada por equipes especializadas, considerando o histórico clínico e familiar do paciente.

Diagnóstico precoce transforma o prognóstico

A identificação do TEA nos primeiros anos de vida é considerada fundamental para melhorar o desenvolvimento da criança. Intervenções precoces contribuem diretamente para avanços na comunicação, no aprendizado e na autonomia. Ainda assim, especialistas apontam que o caminho até o diagnóstico muitas vezes é fragmentado e demorado.

O autismo precisa ser avaliado de forma integrada. Hoje lidamos com quadros complexos, que exigem a combinação de análise clínica, comportamental e, em muitos casos, genética Afirma o neuropediatra Tarcizio Britto, coordenador de um espaço especializado em TEA


Nesse contexto, centros especializados têm se tornado peças-chave na organização do cuidado. Ao reunir equipes multidisciplinares e recursos diagnósticos em um único ambiente, esses espaços permitem cruzar informações e desenvolver planos terapêuticos personalizados.

Além de acelerar o diagnóstico, esse modelo também fortalece o suporte ao paciente e à família. A integração entre diferentes profissionais favorece um acompanhamento mais consistente e baseado em evidências, aumentando as chances de desenvolvimento de habilidades, autonomia e qualidade de vida ao longo do tempo.

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