Especialista fala das pressões impostas a homens e mulheres nas redes sociais
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Especialista fala das pressões impostas a homens e mulheres nas redes sociais

As redes sociais consolidaram-se como espaços de exposição constante e construção de imagens idealizadas. Em uma sociedade já marcada por cobranças excessivas, desempenho contínuo e padrões muitas vezes inalcançáveis, essas plataformas intensificam a lógica da comparação social.

E aí está o risco, na avaliação do psicólogo Robert Alan Baltz Prickril, que, a pedido da reportagem, fez uma análise do impacto do uso excessivo das redes sociais no cotidiano de homens e mulheres.

Em coluna recente publicada no iG, o jornalista e cientista social Matheus Pichonelli escreveu sobre  como redes viraram fábrica de ressentimento sexual e violência e acendeu o debate sobre este tema.

Romantização fora da realidade

Também na opinião de Robert Baltz, há no mundo virtual uma romantização da vida pessoal e profissional que raramente corresponde à realidade cotidiana.

Como consequência, aponta o especialista, muitos indivíduos passam a desvalorizar o próprio momento de vida, desenvolvendo ansiedade, sensação de inadequação e medo de exclusão.

No caso dos homens, Baltz destaca que fatores ligados a status e poder aquisitivo costumam exercer impacto significativo, especialmente quando símbolos materiais — como carros, relógios, motos e estilos de vida luxuosos — são amplamente exibidos.

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Isso pode gerar sentimentos de insuficiência, frustração e tensão psíquica ao não conseguir corresponder às expectativas sociais impostas.

Em grande medida, esse fenômeno está relacionado à busca por gratificação imediata em uma rotina acelerada e emocionalmente desgastante Robert Baltz, psicólogo



Princípio do prazer

O psicólogo comentou ainda as postagens direcionadas aos homens que circulam nas redes sociais sobre sexo, exibindo grandes performances e prometendo exageros sem base sólida.

Segundo ele, qualquer estímulo que prometa alívio rápido ou prazer instantâneo tende a se tornar atraente.

Sob uma perspectiva psicanalítica, Freud, ao abordar o princípio do prazer (1920), propõe que o psiquismo busca reduzir tensões e evitar o desprazer. Nesse sentido, muitas promessas de satisfação vendidas pela publicidade e pelo ambiente digital funcionam mais como tentativas momentâneas de alívio do que como prazer genuíno e duradouro Robert Baltz, psicólogo


Essa dinâmica, ressalta Baltz, pode intensificar estados ansiosos, impulsividade e dependência de estímulos constantes. Em relacionamentos, também pode impactar negativamente a intimidade, a regulação do desejo, o autocontrole e a qualidade da vida sexual.

Modelos distorcidos

Baltz também aponta que as redes sociais frequentemente reforçam modelos distorcidos de masculinidade e feminilidade. No caso dos homens, são disseminadas imagens do indivíduo sempre dominante, invulnerável, financeiramente bem-sucedido e constantemente validado.

Já para as mulheres, além da imposição de padrões estéticos rígidos e idealizações de comportamento, observa-se a expectativa de que consigam desempenhar múltiplos papéis com excelência simultaneamente: sucesso profissional, maternidade integral, educação dos filhos, cuidado emocional da família e administração do lar.

Essa lógica, avalia o psicólogo, reforça a normalização das chamadas triplas jornadas femininas, frequentemente romantizadas nas redes sociais como sinônimo de força e realização.

Tais representações desconsideram limites humanos, desigualdades estruturais e a complexidade emocional de homens e mulheres, aumentando a pressão para que ambos se enquadrem em papéis rígidos e exaustivos. Como resultado, muitos vivenciam insegurança, sofrimento silencioso, culpa, baixa autoestima, comparação excessiva e dificuldade em expressar vulnerabilidades de forma saudáve Robert Baltz, psicólogo


A forma de reduzir os impactos dessa armadilha psicológica, avalia o especialista é promover mudanças na maneira de interpretar essas experiências.


Embora as cobranças sociais provavelmente continuem existindo, a forma como cada indivíduo percebe, elabora e responde a elas pode ser transformada.

Consciência critica

Neste sentido, o caminho, na opinião do especialista, é desenvolver consciência crítica sobre os conteúdos consumidos, f ortalecer a autoestima e ressignificar expectativas externas.

Prickril conclui que, ao modificar a percepção sobre si mesmo e sobre o ambiente ao redor, torna-se possível lidar de forma mais saudável com pressões sociais e construir uma relação mais autêntica consigo e com a própria trajetória.

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