
Um britânico diagnosticado com hantavírus afirmou estar isolado em um hospital após ser retirado do cruzeiro MV Hondius, embarcação que se tornou o centro de um surto internacional da doença. Martin Anstee, de 56 anos, trabalhava como guia de expedição no navio e foi evacuado junto de outras duas pessoas na quarta-feira. As informações são do Sky News.
Levado para um hospital na Holanda, Anstee contou à emissora Sky News que seu estado de saúde é estável, mas que ainda precisa passar por diversos exames para que os médicos tenham um diagnóstico mais detalhado.
Estou bem no momento, mas ainda há muitos testes a serem feitos Martin Anstee, diagnosticado com hantavírus
O britânico, ex-policial e fotógrafo de vida selvagem, disse não saber quanto tempo ficará internado.
Estou em isolamento neste momento Martin Anstee
Sobre os sintomas, preferiu não dar detalhes, explicando apenas que os médicos devem ter uma avaliação mais clara nos próximos dias.
Três pessoas morreram de hantavírus
Até agora, três pessoas morreram após casos do vírus serem identificados a bordo do MV Hondius, navio de bandeira holandesa. A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que o número de infecções chegou a cinco.

O hantavírus é normalmente transmitido por roedores infectados. A contaminação ocorre quando partículas presentes em fezes, urina ou saliva desses animais se espalham pelo ar e são inaladas por humanos.
Enquanto isso, duas pessoas que estavam no cruzeiro retornaram por conta própria ao Reino Unido e seguem em autoisolamento, embora não apresentem sintomas, segundo a Agência de Segurança em Saúde britânica.
Após a retirada dos passageiros contaminados, o MV Hondius deixou Praia, capital de Cabo Verde, onde estava ancorado, e segue viagem rumo às Ilhas Canárias. A previsão é que o trajeto dure entre três e quatro dias. Quando chegar ao destino, cerca de 140 passageiros e tripulantes deixarão a embarcação.
As autoridades britânicas alertaram que o período de isolamento após exposição ao vírus pode chegar a oito semanas em casos mais cautelosos. Ainda assim, os órgãos de saúde reforçam que o risco para a população em geral permanece muito baixo.
A epidemiologista Maria Van Kerkhove, da OMS, minimizou temores sobre uma possível crise global e afirmou que o surto “não é a próxima COVID-19”.
Investigadores acreditam que a origem da contaminação possa estar ligada a um casal que participou de uma atividade de observação de aves em Ushuaia, na Argentina. Segundo autoridades ouvidas pela Associated Press, os passageiros teriam sido expostos a roedores infectados em um aterro sanitário da cidade mais austral do planeta antes de embarcarem no cruzeiro.