
Os brasileiros terão uma nova opção de semaglutida nas farmácias a partir do dia 15 de junho. Produzida pela farmacêutica EMS, a caneta Ozivy chegará ao mercado com preço a partir de R$ 452 e a promessa de ampliar o acesso ao tratamento da obesidade, mas que tem como principal indicação o controle do diabetes tipo 2.
O lançamento ocorre poucos dias após a aprovação do medicamento pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O registro foi publicado em 26 de maio, tornando o Ozivy a primeira caneta de semaglutida sintética produzida no Brasil autorizada para comercialização no país. A aprovação ocorreu após a análise de eficácia, segurança e qualidade do produto pela agência reguladora.
Segundo a fabricante, o preço sugerido é de R$ 452 por unidade, mas pacientes que aderirem a um programa de benefícios da empresa poderão pagar, em média, R$ 287 por mês durante os três primeiros meses de tratamento.
A chegada da versão nacional ocorre em um momento em que o custo é apontado como uma das principais barreiras para o acesso à semaglutida. Dependendo da apresentação e da dosagem, o tratamento pode custar cerca de R$ 1 mil por mês. O alto preço, inclusive, já foi um dos fatores que dificultaram discussões sobre a incorporação da substância ao Sistema Único de Saúde (SUS).
O Ozivy foi aprovado após o fim da patente da semaglutida no Brasil, que pertencia à farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante de medicamentos como Ozempic e Wegovy. A caneta da EMS é a primeira versão nacional autorizada pela Anvisa desde a abertura do mercado para concorrentes.
Na última semana, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) autorizou a empresa a praticar um preço máximo semelhante ao dos produtos de referência, próximo de R$ 800 por caneta. Apesar disso, a EMS anunciou que lançaria o medicamento por um valor inferior.
Demanda alta
A chegada do produto ocorre em meio ao aumento da procura por medicamentos à base de GLP-1, substâncias usadas principalmente no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Esses remédios atuam ajudando o organismo a controlar a glicemia e a reduzir o apetite, o que explica sua popularização nos últimos anos.
A EMS informou que mais de 500 mil canetas serão disponibilizadas neste primeiro ciclo de abastecimento. A produção será realizada em Hortolândia, no interior de São Paulo, em uma planta dedicada à fabricação de peptídeos.
A expectativa do setor é que a entrada de versões nacionais da semaglutida aumente a concorrência e amplie a oferta de medicamentos à base da substância no país, especialmente após o fim da patente do princípio ativo em março deste ano.
O que é a semaglutida?
A semaglutida é uma substância utilizada principalmente no tratamento do diabetes tipo 2. Ela atua de forma semelhante ao GLP-1, um hormônio produzido naturalmente pelo organismo após as refeições e que ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue.
Entre seus efeitos estão o estímulo à produção de insulina quando necessário, a redução da liberação de glicose pelo fígado e o aumento da sensação de saciedade. Esses mecanismos contribuem para o controle da glicemia e podem levar à perda de peso em parte dos pacientes.
Por causa desses efeitos, medicamentos à base de semaglutida passaram a ser utilizados também no tratamento da obesidade em pessoas que atendem aos critérios clínicos estabelecidos pelos médicos e pelas autoridades sanitárias.
Especialistas, no entanto, alertam que esses medicamentos não devem ser utilizados sem acompanhamento profissional. O tratamento exige avaliação médica individualizada e pode não ser indicado para todos os pacientes.