Surto de Ebola causado pela variante Bundibugyo surpreende autoridades, já que a cepa havia registrado poucos casos antes
Reprodução/OMS
Surto de Ebola causado pela variante Bundibugyo surpreende autoridades, já que a cepa havia registrado poucos casos antes

Um surto causado pelo vírus Ebola matou 600 pessoas entre 1.759 casos desde abril deste ano na República Democrática do Congo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O caso chamou atenção das autoridades porque a variante, que nunca apresentou grandes riscos, explodiu do nada e ainda não tem uma vacina  específica contra a variante Bundibugyo.

A nova onda de infecções foi confirmada oficialmente no dia 15 de maio, depois da morte de uma enfermeira na cidade de Mongbwalu.

Sem vacina e com institutos de análise de amostra dos suspeitos longe das áreas afetadas, as ações de controle demoram e as infecções se espalham rapidamente. A  OMS diz que os dados ficam desatualizados rapidamente devido à rapidez das infecções.

O surto atual já ultrapassou, em número de casos e velocidade de crescimento, os dois surtos anteriores causados pela mesma variante, em 2007 e 2012.

A variante Bundibugyo foi identificada pela primeira vez em Uganda, em 2007. Naquele ano, o surto provocou 37 mortes. Em 2012, uma nova ocorrência da mesma variante causou 36 mortes. O  número atual de vítimas já é mais de dez vezes maior do que o total registrado nos dois episódios anteriores.

Embora a Bundibugyo tenha apresentado, em surtos anteriores, uma taxa de mortalidade menor do que a Zaire, variante mais comum, a doença ainda é considerada grave, com 25% a 50% das pessoas infectadas podendo morrer. No surto atual, as mortes representam quase um terço dos casos confirmados.

Os primeiros sintomas do Ebola, como febre, cansaço, dor de cabeça, dores musculares e problemas no sistema digestivo, podem ser confundidos com doenças comuns na região, como malária e febre tifoide, o que faz da identificação uma das maiores dificuldades durante o surto.

Preparação para epidemias

Para Nancy Sullivan, especialista em virologia da Universidade de Boston, o caso da Bundibugyo mostra como é difícil prever quais vírus podem virar ameaças de epidemias no futuro. Antes de 2026, essa variante tinha causado só dois surtos conhecidos, com poucos casos quando comparada a outras formas do Ebola. Por isso, recebeu menos investimentos em pesquisas e no desenvolvimento de medidas específicas.

A pesquisadora diz que planos de preparação contra novas doenças devem levar em conta o desenvolvimento de formas de combate para vírus capazes de causar doenças graves ou mortes, mesmo quando o risco de um novo surto parece baixo.

A resposta bem-sucedida a doenças causadas por filovírus depende não apenas de tratamentos médicos, mas também de fatores sociais, operacionais e comportamentais. Nancy Sullivan, especialista em virologia da Universidade de Boston.



O que é o Ebola

O Ebola, também conhecido como febre hemorrágica Ebola, é uma doença causada por vírus que podem provocar sangramentos e levar à morte em casos graves.

Existem quatro tipos principais do vírus capazes de infectar humanos. O primeiro registro da doença aconteceu em 1976 e, desde então, a República Democrática do Congo enfrentou 17 surtos.

A variante Zaire é responsável pela maioria dos grandes surtos de Ebola conhecidos, incluindo a epidemia que atingiu países da África Ocidental entre 2014 e 2016 e matou mais de 11 mil pessoas. Após esse episódio, pesquisadores desenvolveram uma vacina contra essa cepa do vírus.

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