O polêmico projeto de lei antiaborto do Chile
Reprodução/Chile Sweet Chile
O polêmico projeto de lei antiaborto do Chile


Mulheres chilenas poderão ter que ouvir os batimentos cardíacos do embrião ou do feto como condição para realizar um aborto legal. É o que prevê um controverso projeto de lei no Chile. E olha que o direito ao aborto no país já é restrito. O Chile só permite a interrupção da gravidez em três situações: gravidez resultante de estupro, inviabilidade fetal e risco de vida para a gestante.

A nova proposta, chamada "Escute seu coração", foi apresentada por um deputado de ultradireita.

"O que buscamos é salvar vidas, não provocar mais mortes", diz Cristóbal Urruticoechea, do Partido Nacional Libertário.

O projeto deu origem a um intenso debate no Congresso chileno. Ele está na primeira fase de tramitação, na Comissão de Saúde.

Reações ao projeto sobre aborto

"Isso me parece extremamente desumano, cruel. Não se pode legislar com a Bíblia na mão", afirma a deputada Andrea Parra, do Partido pela Democracia (PPD).

"Sempre vamos defender a vida", diz a deputada Macarena Santelices, do Partido Republicano.

Entre a comunidade médica, organizações da sociedade civil e especialistas em direitos humanos, a rejeição à proposta foi ampla.



"Não tem objetivo terapêutico, não fornece informações relevantes para a tomada de decisão e seu único efeito previsível é aumentar o sofrimento e a culpa num momento de enorme vulnerabilidade", afirma a psicóloga perinatal María Cereceda.

"O único efeito é acrescentar dor a uma decisão que a legislação chilena já coloca restrições", avalia Javiera Canales, da ONG Miles Chile.

O projeto de lei apresentado no Chile se baseia em um decreto implementado na Hungria em 2022, pelo governo do ultranacionalista Viktor Orbán.

O presidente chileno de ultradireita, José Antonio Kast, prometeu seguir esse exemplo.

"As políticas pró-família que ele [Orbán] implementou também serão reproduzidas no Chile", disse Kast, ainda durante a campanha presidencial.

Desde 2017, quando o Chile descriminalizou parcialmente o aborto, cerca de 6 mil mulheres realizaram abortos legais.

Mas, segundo estimativas, por ano ocorrem entre 60 e 300 mil abortos clandestinos no país.

    Compartilhar
    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

    Mais Recentes