No auge da pandemia, asilos recebem ordens para não ressuscitar idosos no Reino Unido
Marcello Casal JR/ABr
No auge da pandemia, asilos recebem ordens para não ressuscitar idosos no Reino Unido

 O serviço nacional de saúde do governo britânico instruiu e deu ordens a asilos no Reino Unido para que que não reanimem idosos contaminados pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2) . Segundo um relatório do The Queen's Nursing Institute, que revelou a informação, o objetivo da nova norma é liberar leitos hospitalares . O país que enfrenta o auge da pandemia da Covid-19.

De acordo com o documento, as ordens do National Health Service para alterar o processo de ressuscitação sem discussão com a equipe, residentes ou as famílias, chegaram em um de cada dez asilos no Reino Unido .

As diretrizes também se aplicaram a casas que cuidam de pessoas com deficiências cognitivas ou de aprendizagem , local onde 50% dos funcionários que receberam as instruções trabalhavam. Os outros 50% são de profissionais em asilos.

Dos 128 gerentes de asilos e enfermeiras que participaram da pesquisa, apenas um quinto disse ter recebido pacientes positivos para coronavírus durante os meses de março e abril. Quase metade afirmou ter recebido residentes que não haviam feito teste antes de sair do hospital.

Além dos asilos para idosos

Ao The Times, um entrevistado informou que sua equipe recebeu ordens de que deveria aplicar as diretrizes para todos os residentes .

Outro profissional de saúde, esse responsável pelo cuidado com pessoas com deficiências , afirmou ter recebido um número  "sem precedentes" de formulários para "não ressuscitar".

Adultos com autismo escutaram de uma cirurgiã que deveriam assinar os formulários caso ficassem gravemente doentes.

A redatora do relatório, Alison Leary, especialista em cuidados de saúde e força de trabalho na London South Bank University, diz que a forma como as ordens foram dadas são preoculpantes. "Foram decisões gerais para populações inteiras ou foram impostas sem discussão com o asilo ou família ou residentes. Essas decisões estavam sendo tomadas por gerentes do NHS, não por médicos ", explicou.

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