Madri enfrenta segunda onda de Covid-19
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Madri enfrenta segunda onda de Covid-19

A segunda onda do novo coronavírus (Sars-Cov-2) chegou em Madri antes do esperado, colocando o sistema de saúde da capital espanhola à prova. O hospital que estava sendo construído para estruturar o atendimento aos contaminados pela Covid-19, conhecido como "hospital pandêmico" tem previsão para ficar pronto apenas em novembro.

Ao lado do aeroporto da cidade, 400 trabalhadores viram dias e noites para levantar o prédio da unidade hospitalar que já tem um custo de mais de 50 milhões de euros (em torno de US$ 59 milhões).

O Hospital Isabel Zendal terá capacidade para atender mais de 1.000 pacientes e sua estrutura é completamente pensada para "evitar a transmissão de carga viral": Janelas para monitorar pacientes sem contaminação, enormes saguões sem quartos individuais, salas de pressão negativa para necropsias.

O diretor-geral de Infraestrutura de Madri, Alejo Mirando, explica que o projeto do "hospital pandêmico" é inspirado no pavilhão de congressos Ifema, espaço que foi convertido em hospital de campanha entre março e maio, quando a capital espanhola enfrentava um pico de casos da doença.

“Estamos à beira do colapso”

Na última segunda-feira, 31, o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, disse: “Estamos preocupados com o estado da saúde pública e com a evolução da epidemia em Madri".

Madri representa cerca de um terço das 29.000 mortes por Covid-19 na Espanha. Só na semana passada, 73 dos 191 óbitos foram registrados na região da capital. 

“Os centros de saúde [com a função de atenção primária] são os que, neste momento, estão contendo essa segunda onda”, mas “os hospitais já estão se preparando”, com 16% dos leitos ocupados por pacientes com covid-19 (contra 6% no restante do país), explica a Dra. Silvia Durán, porta-voz da associação de médicos Amyts.

Os profissionais da saúde dizem estarem exaustos pela falta de equipes, recursos e descanso. José Molero, do sindicato CSIT, aponta "estamos à beira do colapso”.

O governo pede calma


Por já terem enfrentado a primeira onda em março e abril, o governo regional, responsável pela gestão da saúde, pede calma ao analisar a situação atual, em que jovens são os mais infectados e a taxa de mortalidade é inferior.

O ministro regional da Saúde, Enrique Ruiz Escudero, anunciou nesta sexta-feira, 4, novas medidas para o enfrentamento ao novo coronavírus, como limitar reuniões privadas em ambientes fechados e ao ar livre a dez pessoas, ou proibir dançar em casamentos.

Centenas de profissionais  de saúde pediram que o governo regional “aja para evitar um novo colapso do sistema”, eles desejam mais contratações e incentivam o trabalho remoto, quando possível, para evitar serem infectados. Um coletivo médico pensa em processar o governo regional.

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