Família enterra vítima da Covid-19, no cemitério de Vila Formosa, em São Paulo
Foto: Eduarda Esteves/iG
Família enterra vítima da Covid-19, no cemitério de Vila Formosa, em São Paulo


O Brasil ultrapassou hoje a marca de 150 mil mortos por Covid-19, pouco mais de sete meses depois da primeira morte registrada pelo Sars-Cov-2 . É como se toda a população do bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, tivesse morrido pelo vírus. 

Segundo  dados liberados neste sábado (10) pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Brasil registra 150.198 mortes por Covid-19.  Nas últimas 24 horas, o País registrou mais 559 mortes causadas pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2).

Já o número de  contaminações  chegou aos  5.082.637, sendo desse total, 26.749 casos registrados de ontem para hoje.

Embora muitos brasileiros tenham a sensação de segurança por achar que a pandemia da Covid-19 chegou ao fim, com as medidas de flexibilização em todos os estados, os especialistas indicam que o momento ainda é delicado e é preciso cuidado.

Isso porque o País continua em segundo lugar no mundo em número de óbitos pela doença, atrás apenas dos Estados Unidos, que registrou 213.860 mortes. Além disso, já são mais de 5 milhões de casos de Covid-19, em apenas sete meses de pandemia.

Na última quinta-feira (8), a média móvel de mortes por Covid-19 no Brasil foi de 610, a menor desde o dia 10 de maio. Mas, apesar do Ministério da Saúde falar em platô e estabilização da doença no Brasil, a curva de mortes continua em um patamar alto.


Pandemia não acabou! 

Sylvia Lemos Hinrichsen, médica infectologista e professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), explica que o momento da pandemia no Brasil ainda é de alerta, principalmente pela  falta de um imunizante ou de uma imunidade de rebanho na população.

"Do ponto de vista das mortes e do números de casos, a recomendação é manter os protocolos de saúde até a chegada de uma vacina ou uma população ter uma proteção que possa justificar um menor número de casos. Isso dependerá de uma série de fatores que a curto prazo não temos respostas", esclarece a professora. 

Ela explica que a imunidade de rebanho é a proteção indireta de uma doença infecciosa, que ocorre quando uma porcentagem da população já contraiu um vírus, para que mesmo quem não teve a doença deixe de correr risco de se infectar. Porém, Sylvia Lemos Hinrichsen destaca que ainda não há dados para garantir essa imunidade coletiva.

Sobre os vários  boatos que circulam nas redes sociais de que o Sars-Cov-2 não sobrevive a temperaturas maiores do que 36°C e de que a doenç está completamente controlada, a professora lamenta o papel negativo das notícias falsas. 

"As informações não fidedignas ou as conhecidas ‘fake news’ não são boas. Elas geram expectativas que não se concretizam, não são baseadas em evidência científica e isso atrapalha, principalmente na rotina e no ambiente que ainda estamos vivendo de muitas incertezas, porque a própria doença é nova", diz a infectologista. 

A médica pontua que a recomendação para este momento, com 150 mil mortes no País, é que a população respeite a vulnerabilidade do outro, sendo responsável com as medidas preventivas. "Até termos uma vacina ou evidências científicas sobre a imunidade de rebanho, as pessoas precisam seguir os quatro pilares, que são o uso de máscara, o distanciamento social com aglomerações, o espaçamento físico e a higienização das mãos com água, sabão e álcool em gel", explica. 

Covid-19 no mundo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, em 30 de janeiro de 2020, que o surto da doença causada pelo novo coronavírus constitui uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, o mais alto nível de alerta da organização, conforme previsto no Regulamento Sanitário Internacional. Em 11 de março de 2020, a Covid-19 foi caracterizada pela OMS como uma pandemia.

Até o dia 8 de outubro, foram confirmados no mundo 36.002.827 casos e 1.049.810 mortes. Na região das Américas, 11.441.282 pessoas que foram infectadas pelo novo coronavírus se recuperaram.

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