Estudos existentes até o momento não mostram benefício com medicação precoce com cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina
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Estudos existentes até o momento não mostram benefício com medicação precoce com cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina

Após divulgação de novas recomendações da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), não recomendando tratamento precoce de Covid-19 com nenhum medicamento, o Ministério Público Federal de Goiás pediu explicações à entidade e uma declaração de que não existe conflito de interesse com empresas farmacêuticas.

No documento, o procurador da República Ailton Benedito, auto-declarado conservador, requisita cópias dos documentos oficiais que sustentam a atribuição de posicionamento da SBI a diversos órgãos.

Ele também pede que a entidade informe se tem conhecimento das orientações divulgadas pelo Ministério da Saúde e que esclareça se os estudos científicos que embasam as orientações do governo não têm valor científico para a SBI. A entidade tem prazo de cinco dias para enviar as informações solicitadas.

Ao contrário das orientações do Ministério da Saúde, a SBI não recomenda o uso de qualquer medicamento para tratamento precoce, incluindo cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, nitazoxanida, corticoide, zinco, vitaminas, anticoagulante, ozônio por via retal e dióxido de cloro.

“Os estudos clínicos randomizados com grupos de controle existentes até o momento não mostraram benefício e, além disso, alguns desses medicamentos podem causar efeitos colaterais. Ou seja, não existe comprovação científica de que esses medicamentos sejam eficazes contra a Covid-19”, justifica.

A entidade sustenta que a orientação está alinhada com sociedades científicas e médicas internacionais, tais como o Instituto Nacional de Saúde e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos EUA, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

De acordo com a SBI, na fase inicial, da doença, ‘medicamentos sintomáticos, como analgésicos e antitérmicos, podem ser usados em pacientes que apresentem dor ou febre”.

No documento com novas orientações, a SBI também alerta que a reinfecção parece ser incomum. “A maioria das pessoas que tiveram infecção assintomática ou a doença COVID-19 provavelmente estarão imunes por, pelo menos, 3 a 5 meses. Estudos em andamento e estudos futuros responderão por quanto tempo o paciente ficará imune com mais precisão”, diz o texto. A entidade reforça que as pessoas que já tiveram a doença devem continuar com as medidas de prevenção.

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