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Segundo dois estudos, quem já teve a Covid-19, desenvolveu alguma defesa e recebeu uma dose única da vacina apresentou o tipo de indicadores imunológicos que são esperados de quem recebe as duas doses
Foto: Thinkstock/Getty Images
Segundo dois estudos, quem já teve a Covid-19, desenvolveu alguma defesa e recebeu uma dose única da vacina apresentou o tipo de indicadores imunológicos que são esperados de quem recebe as duas doses

Quem já contraiu Covid-19 deve se vacinar? A pergunta aparece desde que começaram as discussões sobre a imunização contra a doença. Agora, estudos  apontam que, sim, há vantagens para quem já desenvolveu a doença ser vacinado, mas talvez eles precisem apenas de uma dose única para reforçar a imunidade.

Atualmente, praticamente todas as vacinas preveem um regime de duas doses para reforçar a imunidade dos pacientes, com exceção dos imunizantes da Johnson & Johnson e da CanSino. Sem dados para sustentar uma estratégia diferente, mesmo quem já contraiu a Covid-19 está sendo convocado para se vacinar com o regime completo, sem qualquer distinção em comparação contra quem nunca teve a doença.

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Segundo dois estudos, quem já teve a Covid-19, desenvolveu alguma defesa e recebeu uma dose única da vacina apresentou o tipo de indicadores imunológicos que são esperados de quem recebe as duas doses da vacina sem ter contraído o vírus previamente.

Como relata o MedicalXpress , um dos estudos mostrou que a resposta de anticorpos entre 41 voluntários que já haviam desenvolvido Covid-19 e se vacinou foi igual ou superior do que os 68 participantes que nunca haviam desenvolvido a doença. O resultado foi observado mesmo entre quem desenvolveu sintomas muito fracos ou foi assintomático. Outra pesquisa, com 33 curados vacinados, demonstrou resultados similares, com resposta igual ou superior a 26 participantes que nunca contraíram o vírus.

Vale notar, no entanto, que os testes foram feitos nos Estados Unidos, com as vacinas em distribuição no país, que por enquanto são a da Pfizer e a da Moderna, ambas com tecnologia de mRNA. Os resultados podem não ser iguais para todas as vacinas; no Brasil, por exemplo, os imunizantes em uso são outros, e a resposta pode ser diferente.

Viviana Simon, pesquisadora sênior em um dos estudos na Escola de Medicina Icahn no Mount Sinai, diz que o resultado indica que pode ser interessante transformar esses achados em uma estratégia de vacinação. Dando apenas uma dose a quem já se contaminou previamente, a resposta se demonstra satisfatória e doses são economizadas para proteger mais pessoas que ainda não desenvolveram a Covid-19.

No entanto, os estudos foram divulgados apenas em forma de pre-print, sem revisão por pares e publicação em revista científica. Assim, é difícil se basear nos resultados para guiar uma estratégia de vacinação em escala nacional. Além disso, Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas e principal conselheiro da área de saúde no governo dos Estados Unidos, aponta que, no país, a discussão sobre a economia de doses.

Essa visão se deve ao fato de que, mais do que acompanhar marcadores imunológicos, seriam necessários testes muito mais profundos para confirmar se, realmente, os níveis de proteção entre quem já teve a doença e recebeu uma dose são similares aos de quem não teve e recebeu duas. Até os resultados saírem, os Estados Unidos já devem ter um amplo fornecimento de vacinas, que dispensariam a necessidade de economizá-las com quem já se recuperou da doença. Para outros países com fornecimento mais escasso, a ideia de dose única para recuperados pode ser mais interessante.

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