Além da Covid-19, o relatório aponta que pessoas com excesso de peso são muito mais suscetíveis a doenças respiratórias de forma geral
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Além da Covid-19, o relatório aponta que pessoas com excesso de peso são muito mais suscetíveis a doenças respiratórias de forma geral

Um estudo divulgado pela Federação Mundial de Obesidade mostra que 90% das mortes por Covid-19 ocorreram em países com altas taxas de obesidade. De 2,5 milhões de mortes pelo novo coronavírus no mundo, 2,2 milhões ocorreram em países com altos níveis de obesidade.

A pesquisa foi divulgada no país esta quarta-feira, no Dia Mundial da Obesidade, pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), mostrou ainda que a taxa de mortalidade por Covid-19 é dez vezes maior em países onde mais de 50% da população está acima do peso.

O resultado foi obtido a partir de um cruzamento de dados da Johns Hopkins University e do Observatório de Obesidade da Organização Mundial da Saúde. Na pesquisa, há o pedido aos governos para que pessoas que vivem com obesidade sejam priorizadas até nas vacinações.

No entanto, para a endocrinologista Maria Edna Melo, presidente do Departamento de Obesidade da SBEM, seriam necessários dados mais fortes para que fosse concedida a prioridade a todo o grupo.

— Não sei se seria factível porque a gente tem mais de 30 milhões de pessoas com obesidade, IMC acima de 30, e muitos deles não vão ter essa predisposição a ter quadro tão grave. Temos certeza de que adultos que têm IMC acima de 40 têm que ficar extremamente protegidos. A prioridade para o IMC acima de 40 já ocorre em vacinações. Para entrarmos para IMCs mais baixos, teríamos que entrar com dados muito mais fortes. Como sociedade, nosso papel é orientar população que tem IMC muito elevado e que vai ser incluída, para que não deixe de se vacinar o mais cedo na primeira oportunidade legal.

Além da Covid-19, o relatório aponta que pessoas com excesso de peso são muito mais suscetíveis a doenças respiratórias de forma geral. Em relação à Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers) e ao H1N1, a pesquisa demonstra que os resultados também foram significativamente pior para pessoas com obesidade durante aquelas epidemias.

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Sobre o estudo, o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom, ressaltou que deve ser um alerta para os governos em todo o mundo: "A correlação entre as taxas de obesidade e mortalidade de COVID-19 é claro e convincente“.

Para Maria Edna, é preciso que a população tenha acesso a alimentação mais saudável:

— Os números são altos e vão crescendo porque as estrategias de prevenção de obesidade não são assertivas. A população está exposta a uma alimentação que tende a ser muito ruim. É fácil para o dia a dia e de baixo custo, mas é mais danoso. Enquanto no mundo, todos estão falando em aumentar imposto para bebidas adoçadas, aqui no Brasil, tem isenção para indústria de refrigerante. Precisamos envolver estrategias populacionais. Não adianta diminuir ultraprocessado, tem que melhorar padrão de alimentação da população, incrementar alimentos mais saudáveis.

Em relação ao Brasil, o relatório destacou que as elevadas taxas de mortalidade de Covid-19 do país têm sido repetidamente associadas a medidas de controles sanitário precárias e a uma resposta lenta do governo.

Mostra ainda que os brasileiros têm experimentado uma mudança drástica no estilo de vida e na dieta nas últimas décadas, com maior acesso a produtos com alta densidade energética. Além disso, apenas 15% da população relata ser fisicamente ativa. Para 2025, os dados apontam que a taxa de obesidade no Brasil tende a aumentar, com 25,2% dos homens e 31,8% das mulheres obesos. Ambos terão chances consideradas muito ruins de atingir as metas de obesidade de adultos da ONU.

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