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Eric Gaillard / Reuters
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Uma francesa de 57 anos, sem nenhum fator de risco, morreu em decorrência de uma forma grave da Covid-19 no início de dezembro, em um hospital da região parisiense. O caso causou revolta entre os médicos, após descobrirem que o certificado de vacinação era falso, comprado por cerca de 200 euros. Os médicos alertam que caso tivesse dito a verdade, a mulher poderia ter sido salva, pois, o tratamento seria diferente e o risco de doença grave teria sido reduzido.

A paciente, sem antecedentes médicos, deu entrada no início de dezembro no hospital Raymond Poincaré, em Garches, nos arredores de Paris, com o documento falso comprado por um médico, assegurando ter se vacinado.

O marido da paciente, que não teve o nome revelado, relatou à emissora de televisão BFMTV, de que a esposa teria contraído a Covid-19 do filho de 13 anos, contaminado na escola. Diante do agravamento de seus sintomas, foi necessário a hospitalização da paciente no pronto-socorro do hospital Raymond-Poincaré, em Garches. Já com o estado de saúde bem debilitada, a mulher mentiu no momento da internação, garantindo ter sido vacinada.

As equipes médicas iniciaram o tratamento, seguindo o protocolo aplicado às pessoas vacinadas e sem comorbidades. Alertada pela gravidade do caso, a equipe médica realizou vários exames complementares, entre eles um teste de pesquisa de anticorpos contra o coronavírus, que revelaram que a francesa não havia sido vacinada.

"Era a primeira vez que víamos uma mulher jovem, sem comorbidades conhecidas, a priori vacinada, que desenvolvia uma forma tão severa da doença" , disse o diretor da UTI, Dijillali Annane, à Rádio France Info.

Caso os médicos soubessem do real estado de vacinação, outro protocolo teria sido aplicado, com medicamentos que são mais eficazes para reduzir o risco de progressão da doença.

Espero que esta história muito triste tenha um impacto nas pessoas que andam por aí com um certificado falso e nos colegas que emitem certificados falsos — acrescentou o diretor.

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O marido, imunizado, disse que não conseguiu convencer a mulher a se vacinar. Ela preferiu comprar o certificado falso de vacinação de um médico que trabalha em Nice. Essa prática foi fortemente criticada pelo chefe da UTI de Garches.

"A todos os meus colegas, que prescrevem certificados de vacinação falsos, quero dizer que eles estão prestando um péssimo serviço aos seus pacientes e que os estão traindo!" , denunciou.

Ambos são muçulmanos e ela acreditou quando leu na Internet sobre a presença "produtos suínos" na vacina. O caso foi motivo de discussão entre o casal. Segundo o companheiro à equipe médica, a paciente teria comprado o certificado falso para não perder o emprego de recepcionista.

"Se os médicos soubessem que minha esposa não foi vacinada, ela teria sido salva. Mas ela não queria que eu dissesse, pois, tinha medo de um processo judicial" , explicou à BFMTV.

A mulher tinha que fazer testes PCR para mostrar ao patrão, dado trabalhar como recepcionista, até que um dia alguém do trabalho lhe disse conhecer uma pessoa que podia fazer um passe sanitário por 200 euros. Preocupada com o emprego, a francesa adquiriu ilegalmente.

Procurado, o médico de Nice afirma que sua carteira profissional foi roubada. O assessor de imprensa do prefeito de Nice confirmou informação e disse que uma queixa foi dada contra um centro de saúde da cidade que teria emitido centenas de passaportes sanitários falsos nos últimos meses. Uma investigação foi aberta.

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