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Brasil está em segundo lugar no ranking de países com maior incidência da doença, atrás apenas da Venezuela; em terceiro lugar estão os EUA

Casos de sarampo nas Américas passaram de 5.004 para 6.629, de acordo com a OMS
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Casos de sarampo nas Américas passaram de 5.004 para 6.629, de acordo com a OMS

O aumento de casos de sarampo em 2018 não é um fenômeno exclusivo do Brasil. Entre 21 de agosto e 21 de setembro, o número de casos confirmados da doença em todo o continente americano aumentou 32%, segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

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As informações, publicadas nesta segunda-feira (24), mostram que o total de ocorrências da doença em 11 países da região passou de 5.004 para 6.629. O relatório aponta a Venezuela como sendo o país com a maior incidência da doença, com 4.605 casos de sarampo diagnosticados.

Essa quantidade é 2,6 maior do que a registrada no Brasil (1.735), que aparece em segundo lugar na lista. Os dois países registraram, no período analisado, as 72 das mortes notificadas causadas pela doença, dez em território brasileiro.

Em terceiro lugar na lista está os Estados Unidos (124 casos), seguido pela Colômbia (85). Na sequência vêm Canadá (22), Peru (21), Equador (19), Argentina (11), México (5) e, empatados, Antígua e Barbuda (1) e Guatemala (1).

A quantidade de casos de sarampo confirmados nos 11 países tem aumentado progressivamente. Na primeira metade de abril, o relatório da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) indicava um total de 385 ocorrências. No levantamento encerrado em 8 de junho, havia subido para um total de 1.685 registros. Em 20 de julho, o boletim apresentava 2.472 casos.

Além da ampliação da cobertura vacinal da população, a OMS recomenda que em países onde há surtos da doença, como é o caso do Brasil, sejam adotadas medidas para se evitar a chamada transmissão nosocomial - quando um paciente contrai uma doença durante sua estada em um estabelecimento de saúde. A orientação é de que os gestores das unidades de saúde isolem os pacientes com sarampo dos demais em salas específicas.

O Ministério da Saúde informou que, ao ser encerrada, no último dia 14, a Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo e a Poliomielite atingiu a meta estabelecida pelo governo de imunizar 95% do público-alvo da ação. A média geral de imunização contra sarampo, segundo a pasta, chegou a 95,3%, enquanto a de poliomielite foi 95,4%.

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Mitos e verdades sobre casos de sarampo

A maneira mais eficaz de evitar os casos de sarampo é a vacinação, segundo o Ministério da Saúde
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A maneira mais eficaz de evitar os casos de sarampo é a vacinação, segundo o Ministério da Saúde

1. "A volta do sarampo está ligada à crise na Venezuela"

Verdade . De acordo com o documento elaborado pelo Ministério da Saúde, os surtos da doença estão relacionados à importação. “Isso ficou comprovado pelo genótipo do vírus (D8) que foi identificado, que é o mesmo que circula na Venezuela”, diz a nota da pasta.

Devido à crise política e econômica, o governo da Venezuela deixou de vacinar a população e, ao receber imigrantes, o Brasil também passou a ficar exposto ao vírus.

Contudo, não é justo atribuir toda a culpa do retorno da doença à imigração, conforme pontua o secretário da Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm), Juarez Cunha. Afinal, o surto poderia ter sido controlado com a vacina, disponível gratuitamente na rede pública do País.

“Além da situação na Venezuela, o sarampo já tinha surtos registrados na Europa desde 2016. Com as quedas das coberturas vacinais e com doenças já eliminadas se aproximando do Brasil, o risco de surtos fica muito maior”, disse.

2. "A vacina contra sarampo é o único meio de evitar a doença"

Verdade . Segundo informações do Ministério da Saúde, a imunização é a única maneira de prevenir a doença. As doses são indicadas uma aos 12 meses de idade e a outra aos 15 meses.

4. "Adultos não pegam sarampo"

Falso . Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, o risco é maior para crianças pequenas não vacinadas. Mulheres grávidas não imunizadas também estão em risco. No entanto, qualquer pessoa não imunizada pode se infectar.

5. "Só se pega sarampo uma vez na vida"

Verdadeiro . Quando uma pessoa contrai a infecção, o organismo desenvolve anticorpos que impedem uma nova contaminação. O mesmo acontece com catapora, rubéola e outras doenças.

6. "Adultos que já se vacinaram contra sarampo devem receber reforço”

Falso . Quem conseguir comprovar a vacinação contra o sarampo não precisa receber a vacina novamente.

Além disso, indivíduos com história pregressa de sarampo, caxumba e rubéola também são considerados imunizados contra as doenças, mas é preciso certeza do diagnóstico. Na dúvida, é melhor buscar a vacinação.

“Só não vai tomar a vacina quem tiver certeza que já foi vacinado ou teve a doença. E essa certeza é comprovada pelo comprovante na carteira vacinal ou exames que atestam sarampo. Se a pessoa não tiver, melhor ser imunizado. Só a história de que teve a doença ou recebeu a vacina não vale”, pontuou o especialista da SBIm.

7. "Adultos não podem tomar a vacina contra sarampo”

Falso . Apesar de a campanha ser voltada para o público infantil, adultos e adolescentes que não receberam a vacina podem buscar a proteção nos postos de saúde gratuitamente.

“Se a pessoa perdeu o comprovante da vacina e não tem certeza se tomou, o ideal é buscar a imunização. Não tem problema fazer doses a mais, caso a administração já tenha sido feita antes”, garante Juarez.

Para os adolescentes e adultos de até 49 anos há duas recomendações: segundo o Ministério da Saúde, pessoas de 10 a 29 anos devem receber duas doses da tríplice viral, enquanto pessoas de 30 a 49 anos só recebem uma dose da tríplice viral.

8. "Idosos e gestantes não podem se vacinar contra sarampo"

Verdade . Segundo o Ministério da Saúde, mesmo se a pessoa com mais de 50 anos não tenha certeza se tomou ou não a imunização, não há necessidade de recorrer à proteção. “Entende-se que, na infância dessas pessoas, como não tinha vacina, a chance delas terem tido a doença é grande, por isso não é preciso receber a dose”, avalia Cunha.

Já em relação às grávidas, a recomendação do Ministério da Saúde é que elas devem esperar para serem vacinadas após o parto.

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Para quem está se planejando engravidar, é ideal ter certeza de que está protegida. Nesses casos, um exame de sangue pode dizer se a pessoa já está imune à doença. Se não estiver, a vacina pode ser tomada um mês antes da gravidez para evitar casos de sarampo .

*Com informações da Agência Brasil

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