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Quase três mil municípios estão desassistidos e cerca de 28 milhões de brasileiros estão sem assistência médica com alteração do Mais Médicos

médicos cubanos
Luciano Lanes / PMPA
Médicos cubanos deixaram o programa Mais Médicos por decisão do país caribenho após eleição de Bolsonaro

O governo Bolsonaro parece ainda não ter encontrado uma solução para preencher as vagas deixadas por médicos cubanos no Brasil. Seis meses após o governo de Cuba anunciar o fim de sua participação no programa Mais Médicos, em decorrência de falas ameaçadoras de Bolsonaro à presença dos profissionais no país, 28 milhões de brasileiros estão sem assistência médica.

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Os dados sobre o desmonte da saúde no país foram expostos pelo The New York Times. Em recente reportagem, o jornal norte-amricano mostra que quase três mil municípios continuam desassistidos após a saída dos médicos cubanos , principalmente as comunidades indígenas e ribeirinhas e as populações das regiões periféricas. Uma situação que ocorre por conta do descaso com que o governo Bolsonaro trata a saúde pública, segundo avaliação do ex-ministro Arthur Chioro , em entrevista à Rádio Brasil Atual .

“São dirigentes inescrupulosos que fundamentam suas ações por um viés meramente ideológico, sendo incapazes de enfrentar a realidade e admitirem que o programa Mais Médicos poderia inclusive ser aperfeiçoado”, afirma o ex-ministro.

Em fevereiro, o Ministério da Saúde chegou a anunciar que as vagas deixadas tinham sido preenchidas por médicos brasileiros. No entanto, já em abril, milhares desses profissionais desistiram, muitos sequer compareceram ao trabalho. O governo afirmou que mais de mil municípios, além de dez Distritos Sanitários Especiais Indígenas, começariam a receber 1.975 médicos , a partir desta segunda-feira (24). Um número ainda abaixo da demanda.

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Estudo realizado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) mostra ainda que o Brasil poderá registrar, até 2030, 100 mil mortes consideradas evitáveis devido à paralisação do programa Mais Médicos e saída dos médicos cubanos  e do congelamento dos gastos federais na saúde do país com a Emenda Constitucional 95, conhecida como PEC do Teto de Gastos. “Lamentavelmente nós estamos lidando com um governo, um presidente da República e ministro da Saúde que não têm nenhum compromisso com a vida”, critica Chioro.