O cotovelo dobra, estica, gira e, com tantos movimentos no dia a dia, pode ficar desgastado. Por conta disso, algumas complicações podem surgir e, entre elas, está a artrose de cotovelo. Apesar de ser menos comum que a de ombro e joelho, é importante entender como ela funciona, os sintomas e se é possível preveni-la.

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artrose de cotovelo
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A artrose também pode causar desconforto no cotovelo e, por isso, é importante prestar atenção nos sintomas

Artrose é o desgaste da cartilagem articular. Uma articulação só se movimenta bem porque, em primeiro lugar, ela tem que estar bem ‘encaixada’ e, em segundo lugar, tem que ter uma cartilagem bem lisa”, pontua Márcio Schiefer, ortopedista e professor-adjunto da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 

O profissional explica que, com a presença do líquido sinovial, existe uma lubrificação da cartilagem e das superfícies da articulação. Com isso, elas deslizam muito suavemente uma contra a outra. Quase não há atrito. “No processo de artrose, existe um desgaste da articulação , mais especificamente da cartilagem, então esse deslize não acontece”, diz. 

É importante também entender as causas para o surgimento do desgaste na região. Em primeiro lugar, ele acontece pelo fator genético, além de aparecer na fase mais avançada da vida, a partir dos 60 anos. A outra é a pós-traumática, quando os pacientes sofrem traumas no cotovelo, como lesões, luxações e acidentes, e desenvolvem esse tipo de artrite como sequela.

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Lutadores de de jiu-jitsu e de MMA, justamente por causa dos traumas consecutivos que recebem na região, como a chave de braço, desenvolvem pequenas lesões na cartilagem , que  acabam levando à artrose em longo prazo. “Quase todos os lutadores apresentam artrose nesta parte do corpo”, destaca Schiefer. 

Sintomas, diagnóstico e tratamento

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Além dos sintomas, saiba também como é feito o diagnóstico da artrose de cotovelo e quais as opções de tratamento

Em relação ao sintomas , a maior parte das pessoas costuma se queixar mais da limitação da articulação do que de dor. “O principal sintoma é a rigidez, que nem sempre chega a causar uma grande limitação, mas, às vezes, o paciente não consegue esticar o braço todo ou dobrá-lo oor completo”, ressalta o ortopedista.

Diante disso, é importante buscar ajuda para que o diagnóstico possa ser confirmado. O médico vai avaliar os sintomas e, com a ajuda de uma radiografia do cotovelo, consegue analisar se há alguma complicação, como redução ou estreitamento da articulação, um osso encostando no outro e as formações de bico de papagaio, que podem causar mais limitações de movimento.

O tratamento, por sua vez, é feito com alongamento e fortalecimento muscular. Para amenizar o desconforto, é possível fazer adotar algumas medidas, com, por exemplo, fisioterapia e o uso de bolsas de gelo.

“É preciso lembrar que, por ser uma doença crônica e que não tem cura, não adianta tomar grandes quantidades de anti-inflamatórios, porque isso não vai curar. É uma melhora temporária, vira um ciclo vicioso e pode desencadear outros problemas graves”, alerta o professor-adjunto. 

Se o tratamento convencional não der certo e a pessoa continuar com dor e restrição de movimento, uma das alternativas é partir para o procedimento cirúrgico. “Para os casos mais simples, é feita a limpeza da articulação e a remoção dos bicos de papagaio que fazem essa restrição de movimento. Nos mais  avançados, é colocado a prótese de cotovelo”, diz Schiefer. 

É possível prevenir a artrose de cotovelo? 

Nas causas primárias, em que há predisposição genética, a prevenção é mais difícil. “É claro que, mesmo nesses casos, solicitamos que esses pacientes evitem qualquer tipo de impacto no cotovelo, principalmente atividades com carga. Apesar de ser uma maneira de prevenção, não é garantida”, afirma Schiefer.   

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Já no caso das traumáticas, uma das formas de evitar a degeneração é fazer um tratamento eficiente do trauma. “Se tem uma fratura do cotovelo desviada, por exemplo, a melhor coisa a se fazer é ir para a cirurgia em busca de colocar os fragmentos ósseos na melhor posição anatômica possível para evitar o desenvolvimento da artrose precoce”, indica o profissional.

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