Crianças
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Crianças podem ter menos receptores para o vírus no corpo, ou se beneficiam da imunidade cruzada de outros coronavírus

Crianças são menos transmissoras do novo coronavírus (Sars-CoV-2) na comparação com adultos, segundo um novo estudo publicado pela revista científica Nature. Os pesquisadores chegaram à conclusão após a análise de dados coletados na China, Itália, Japão, Singapura, Canadá e Coreia do Sul.

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Os pesquisadores estimam que a suscetibilidade de infecção em pessoas abaixo de 20 anos é de quase metade, na comparação com adultos acima da mesma faixa. Além disso, sintomas clínicos se manifestam em apenas 21% dos pacientes entre 10 e 19 anos, número abaixo dos 69% dos pacientes acima de 70 anos que revelam traços da doença.

O estudo publicado pela Nature revela que crianças teriam um impacto relativamente pequeno na redução das transmissões do novo coronavírus. Desta forma, países com população mais nova, como é o caso de regiões subdesenvolvidas, seriam menos afetados na comparação com países mais longevos. Sem medidas de precaução, regiões com mais idosos podem desenvolver números desproporcionais de Covid-19 , segundo o estudo. 

Incertezas

Especialistas repercutem que o estudo deixa algumas incertezas sobre o papel das crianças na contaminação do novo coronavírus. “Não sabemos bem se a presença menor de coronavírus em crianças é por imunidade cruzada contra os coronavírus de resfriado ou por serem menos suscetíveis. De repente, por terem menos receptores para o vírus no corpo”, afirma o doutor em microbiologia Atila Iamarino.

Segundo o Dr.Iamarino, é natural imaginar que crianças transmitam mais vírus respiratórios por conta do contato. “Isso não tem aparecido na Covid-19. O que ainda não está claro é se ter menos sintomas, quer dizer que as crianças transmitem menos”, afirma.

Os resultados são encorajadores para o retorno das aulas de crianças pequenas. “Com a reabertura de escolas em vários países, logo mais a segunda parte deve ficar clara. Se confirmarem que transmitem menos, ótimo para escolas”, diz o especialista.


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