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Pesquisadores apontam que doença pode ser dez vezes maior do que os números oficiais

O Brasil teve 1.180 mortes registradas em razão do novo coronavírus em 24 horas , mostra levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias estaduais de Saúde. Com isso, são 55.054 óbitos pela Covid-19 até quinta-feira no país. Os dados, consolidados às 20h, somam 55.054 mortes e 1.233.147 casos confirmados desde o início da pandemia. Só ontem, foram registrados 40.673 novos casos. Apenas Amazonas não enviou os dados a tempo de entrar no balanço.

O mundo todo já contabilizava 489.731 mortos. O Brasil é o segundo com mais vítimas no mundo, só atrás dos EUA . E o número de infectados pode ser muito maior do que os números oficiais, já que prevalência da Covid-19 , porcentagem da população que apresenta anticorpos para a doença, subiu de 2,4% para 2,9% no Brasil em junho.

O número foi divulgado ontem pelo epidemiologista César Victora, da Universidade Federal de Pelotas (RS), um dos coordenadores da pesquisa EpiCovid19-BR, que monitora a doença em 133 cidades do país. Apesar de o percentual parecer baixo, segundo o pesquisador, os números apontados são até dez vezes maiores que os casos efetivamente notificados de Covid-19.

"Quando voce vê uma estatística sobre o Brasil, multiplique por dez que voce estará mais perto da realidade", afirmou Victora no seminário. Se esse número de 2,9% de prevalência se confirmar, significa que mais de 6 milhões de brasileiros já teriam sido expostos ao novo coronavírus.

Victora antecipou os dados brutos do estudo em um seminário promovido pela Universidade de Miami na internet. Na primeira etapa da pesquisa, com exames realizados em 250 pessoas em cada uma das cidades selecionadas, a prevalência no país foi de 1,4%. O trabalho foi repetido entre 4 e 8 de junho, mostrando uma elevação para 2,4%. O último resultado, colhido entre 20 e 24 de junho, mostrou por fim uma prevalência de 2,9%.

Os pesquisadores se referem a esses números como prevalência “bruta” porque na última etapa os dados ainda não foram calibrados para o peso que a amostragem de cada cidade analisada representa na epidemia nacional. Os dados consolidados e os resultados por município ainda não foram divulgados, mas Victora se disse preocupado e especialmente com a região Nordeste.

Segundo Aluísio Dornellas, outro epidemiologista que participa da EpiCovid19-BR , esta é a última etapa da projeto, mas dada a gravidade dos números, os cientistas responsáveis já começaram a articular verbas para uma extensão.

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