Vacina contra a tuberculose pode ser o motivo da taxa de mortalidade mais baixas em alguns estados brasileiros
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Vacina contra a tuberculose pode ser o motivo da taxa de mortalidade mais baixas em alguns estados brasileiros

Um estudo americano sugere que uma velha aliada da medicina, a vacina contra a tuberculose BCG , pode ter sido a responsável por reduzir a taxa de mortalidade pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2) em países como o Brasil.

Os cientistas dizem que ainda é cedo para recomendar a BCG para a Covid-19 , mas defendem uma investigação mais abrangente dos efeitos da vacina.

O estudo foi Realizada pelo Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos e da Universidade Estadual da Virgínia, e publicado na revista PNAS, da Academia Americana de Ciências.

De acordo com Carolina Barillas-Mury — uma das pesquisadoras —, isso explicaria por que estados e cidades densamente povoados, com altas taxas de infecção pelo vírus, mas com alta imunização por BCG, a exemplo de São Paulo e Rio de Janeiro, registram índice de mortalidade por Covid-19 menores do que de Nova York, por exemplo.

Os cientistas constataram que em estados sem vacinação universal contra a BCG, como Nova York, Illinois, Lousiana, Alabama e Flórida, a taxa de mortalidade é mais alta do que em estados com imunização contra BCG, casos de Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. O mesmo ocorre em estados do México.

“Isso é excepcional se considerarmos que esses lugares na América Latina têm densidade populacional maior que a dos estados americanos analisados, incluindo Nova York”, escreveram os cientistas na PNAS.

Resultados semelhantes foram encontrados também na Europa. Na Europa Ocidental, onde nunca houve vacinação em massa contra a BCG, a taxa de mortalidade por Covid-19 é 9,92 vezes maior que a de países da Europa Oriental, onde países, em sua maioria, tiveram programas ativos de vacinação.

De acordo com os pesquisadores, a BCG limitaria a ação do novo coronavírus (Sars-Cov-2) no organismo, estimulando a resposta inata do sistema imunológico não apenas contra o bacilo da tuberculose, mas contra a infecção por outros patógenos e agressões, como o câncer. Já havia sido observada ação da BCG para ativar o sistema de defesa contra o câncer da bexiga, por exemplo.

Segundo os cientistas, o resultado do estudo aponta para a “necessidade de mais pesquisas sobre os efeitos da vacinação pela BCG sobre a Covid-19 e também como forma de evitar a forma grave da doença”.

Esse não é o primeiro estudo a fazer a associação entre a BCG e o combate da Covid-19, mas é o maior até agora.

Os cientistas destacaram que a “associação consistente” entre a imunização por BCG e a redução da severidade da Covid-19 observada nesses estudos epidemiológicos é surpreendente, mas não suficiente para estabelecer uma relação de causalidade.

Eles acrescentaram que estudos clínicos em curso na Holanda e na Austrália, em que profissionais de saúde recebem ou BCG ou uma injeção de placebo (inócua), poderão determinar em que medida a imunização contra a tuberculose confere proteção contra a Covid-19.

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