o ministro interino eduardo pazuello com máscara
Pablo Jacob / Agência O Globo
Eduardo Pazuello afirmou que estudo era "muito regionalizado"


Na última terça-feira (21), o Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) afirmou que o Ministério da Saúde não financiará mais a pesquisa Epicovid , que visa calcular a dimensão real da pandemia no Brasil. No entanto, o reitor Pedro Hallal, que é infectologista, afirma que retirada de financiamento se deu por viés político.


A afirmação foi feita em entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha, na manhã desta quarta-feira (22). “A nossa pesquisa mostrou que nos indígenas o risco de contaminação é cinco vezes maior. Entre os pobres é o dobro do risco. Ou seja, as populações mais vulneráveis que deviam estar sendo protegidas, não estão sendo protegidas”, afirmou Hallal.

Entre outras afirmações, o estudo desmentiu que grande parte dos pacientes da Covid-19 sejam assintomáticos . “[...] É uma frase corriqueira que está totalmente errada. Aqui no Brasil, 89% das pessoas apresentam sintomas, mesmo que leves”, informou o infectologista.

O reitor deu a entender que o Ministério da Saúde “não concordou” com os resultados da pesquisa.

“A gente não sabe se eles não gostaram do resultado, se eles acham que tem algum componente ideológico, se eles só querem fazer pesquisa com quem vota neles. O governo federal olha os resultados da nossa pesquisa e gosta ou não gosta. Ministério não tem que gostar ou não gostar do resultado, tem de usar a política para proteger a população”, disse.

A Epicovid teve três etapas financiadas pelo Ministério da Saúde, e Hallal chegou a participar de coletiva de imprensa para apresentar a pesquisa. O estudo é considerado o maior no mundo sobre a Covid-19.

Hallal explicou que o estudo custou R$ 4 milhões por fase de desenvolvimento, um valor considerado baixo. O reitor afirma que, caso o financiamento continuasse por três meses, os resultados passariam a apontar de maneira mais direcionada para a situação epidemiológica do Brasil.

Agora, a UFPel tenta buscar financiamento de outras maneiras. “Espero que no máximo em uma semana a gente possa anunciar que o Epicovid não vai parar, justamente porque a população brasileira precisa dessa pesquisa”, disse.

“Se a gente não tiver pesquisa, tomamos decisões no escuro”, acrescentou.

O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, informou em coletiva ontem que o financiamento foi interrompido porque “pesquisa estava regionalizada”, apesar de “muito boa”.

“ [...] Tivemos dificuldade de transferir o raciocínio e fazer uma triangulação das ideias para efeito de Brasil como um todo. O Brasil é muito heterogêneo, e precisaríamos de pesquisas individualizadas em cada região do país. É o que estamos avaliando”, justificou Pazuello.

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