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Jorge Hely / FramePhoto / Agência O Globo
Reabertura de parques urbanos possibilita exercícios físicos fora de casa

O r etorno gradual de academias esportivas e parques que permite a realização de exercícios físicos ao ar livre pode soar como uma opção saudável após meses de isolamento social - o que significou um período sedentário para muitos. Apesar disso, profissionais de saúde reforçam que ainda existe o risco de contágio da Covid-19 e que, tão importante quanto a prática regular de atividades físicas, é o cuidado para evitar a transmissão do vírus. 

“Ainda estamos aprendendo sobre a transmissão pelas partículas expiradas das nossas vias aéreas. Sabemos que o novo coronavírus se transmite por gotículas e não pelo aerossol. Porém, ao tossir ou espirrar, essas partículas viajam mais longe no ar e, durante exercícios físicos como corrida e ciclismo, isso também foi observado”, explica Felipe Folco, diretor médico da Cia. da Consulta.

Ainda segundo ele, “por esse motivo orientamos o uso de máscaras durante a prática de atividades físicas em academias ou ao ar livre , e o distanciamento de ao menos 2 metros entre as pessoas. Em relação ao uso e equipamentos de musculação, a atividade é de maior risco de transmissão do vírus, pela manipulação de pesos ou aparelhos ”. O profissional ainda acrescenta que “considerando estes riscos e a dificuldade em garantir a adequação das medidas de prevenção, ainda é mais segura a prática de exercícios dentro de casa”.

O personal trainer Márcio Gaefke, de São Paulo, também argumenta que, neste momento  de reabertura, existem alguns aspectos que podem ser desconfortáveis para quem ainda não tem uma rotina habitual de treinos . “Com os horários restritos e, muitas vezes, a necessidade de agendamento, ir à academia pode se tornar desestimulante neste momento”, pontua.

Já Bianca Vilela, mestre em fisiologia do exercício, é mais compreensiva com o exercício fora de casa. “Sabemos que é muito desafiador manter uma rotina de atividades físicas  dentro de casa. Pensando no próprio espaço físico, nos acessórios e na variedade de atividade física, tudo isso dificulta a prática e certamente influencia no resultado”, reconhece a profissional. “Para quem faz um treino de hipertrofia, por exemplo, falta tudo. É um treino que exige muito peso, muita carga e aparelhos que auxiliam o exercício”, diz.

“Mas a gente tem que pensar na segurança, realmente. Se a gente pensar em um ambiente de academia, é mais ou menos como ir ao mercado com todo mundo junto, respirando no mesmo lugar e com o agravante da transpiração. Se a gente pensa em segurança , é claro que existe um receio, pois aumenta muito a chance de contaminação”, pondera Bianca. Mesmo assim, a profissional destaca que “a gente precisa, aos poucos, retomar uma vida normal”.

Ainda segundo Bianca, para uma transição gradual e mais segura, as atividades indicadas no momento devem ser ao ar livre. “Se possível, o melhor é  começar com uma caminhada, corrida, bicicleta, patins… caso prefira uma atividade mais intensa, ir aos parques, pois você vai ter mais espaço , árvores e às vezes até aparelhos que auxiliam a atividade”, sugere. “Aos pouquinhos, quando o vírus realmente entrar em uma curva de descendência, aí sim a gente poderá ter a segurança de encarar um lugar fechado”, finaliza.

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