Gabbardo
Governo do Estado de São Paulo/Divulgação
Secretário afirmou que a mudança feita é positiva, mas não pode atrapalhar plano de faseamento do estado

Nesta sexta-feira (14), o Governo de São Paulo realizou nova coletiva para tratar sobre os avanços da pandemia da Covid-19 . Entre os temas, o secretário-executivo João Gabbardo falou sobre a mudança feita pelo Ministério da Saúde nos critérios de avaliação de casos da doença, vista por ele como positiva, mesmo que tenha levado a um aumento nos registros no estado.

"Antes, o ministério só reconhecia como caso confirmado quando havia confirmação laboratorial. A partir do dia 05 de agosto, houve a alteração. Agora, existe a possibilidade de confirmação de covid por outras situação, como critério clínico, clínico-epidemiológico ou clínico-imagem, quando a tomografia computadorizada demostra lesões características da Covid-19 ", afirmou Gabbardo.

" São Paulo já tinha esses dados todos catalogados, classificados. Então, tão logo houve a mudança, já fez a colocação desses dados na base de informações do Ministério da Saúde. Por isso ocorreu esse aumento de 200 casos de ontem para hoje. Alguns estados já vinham fazendo isso há mais tempo, mas a maioria ainda não fez essa alimentação. Então, é possível que outros também passem por esse acréscimo", explicou o secretário.

"Avaliação positiva"

Questionado pela reportagem do iG após o término da coletiva, Gabbaro afirmou que a mudança feita pela pasta da Saúde é positiva porque permite que casos sejam "confirmados como Covid" mesmo quando o exame laboratorial não traz um resultado positivo.

"Quando preencherem os requisitos que caracterizam a covid-19 , com os critérios epidemiológicos, clínicos ou exames de tomografia computadorizada, os casos poderão ser confirmados", afirmou o secretário, ressaltando que tal mudança não pode causar transtornos no plano de faseamento do estado.

"Evidente que se, com essa nova metodologia , nós tivermos principalmente um passivo de casos que já ocorreram muito elevado, isso pode desequilibrar os indicadores que utilizamos para fazer o faseamento das regiões. Então, esse assunto deve ser avaliado pelo centro de contingência, porque nós não vamos poder regredir ou prejudicar o avanço de uma determinada região por casos que aconteceram no passado", concluiu.

Por fim, questionado sobre o motivo de a mudança ter ocorrido apenas meses após o início da pandemia , Gabbardo afirmou que não vê a troca como uma decisão política, mas sim como uma "correção" por parte da pasta: "Havia muita preocupação de que os casos pudessem ser confirmados de uma forma aleatória, que depois não se tivesse a certeza que era um caso de covid. Havia também muita gente avaliando que os gestores poderiam supernotificar para poder faturar mais, o que é um absurdo. Não existe nenhuma relação da questão do faturamento com o número de casos".

"O  Ministério da Saúde tinha esse entendimento, havia muita pressão para que não pudessem colocar casos confirmados, e pelas redes sociais isso acontecia com muita frequência, de as pessoas dizerem que um paciente morria por outra circunstância e se dizia que era covid. Por isso, não acho que seja política, mas sim de correção. O ministério percebeu que não era adequado não confirmar os casos pelo fato de não ter o exame laboratorial confirmado. O que já aprendemos sobre a evolução da doença nos aponta que este é um caso de covid e deve ser confirmado assim", finalizou Gabbardo.

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