Pessoas esperando ônibus na região Sul da cidade
Roberto Parizotti/FotosPublicas
Pessoas esperando ônibus na região Sul da cidade

Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) apontou que 56,4% da população da cidade tem ao menos um fator de risco para Covid-19 grave caso seja infectada pela doença. A pesquisa também analisou as variações deste dado quando há um recorte socioeconômico na equação.

Entre os paulistanos sem educação formal, por exemplo, 86% tinham ao menos um fator de risco, ante 49% daqueles que iniciaram curso universitário. “Chama a atenção como vulnerabilidade socioeconômica está associada à biológica. Educação é um marcador de condição geral de vida, de alimentação pior, incidência de diabete, hipertensão. Pessoas com curso universitário iniciado provavelmente comeram melhor, se cuidaram para não ter hipertensão aos 40 anos”, comenta Beatriz Thomé, do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp e uma das autoras do estudo.

Os pesquisadores incluíram dados de 3.223 pessoas, com 18 anos ou mais, que participaram da pesquisa ISA-Capital, de 2015, que reúne as informações mais recentes dos moradores da cidade. Desse total, 47% eram homens, 66% tinham pelo menos educação secundária, 51% eram brancas e 54% viviam com menos de um salário mínimo.

Os critérios de risco para o agravamento do novo coronavírus (Sars-coV-2) incluíram pessoas de 65 anos ou mais ou com diagnóstico de doenças cardiovasculares, diabete, doenças respiratória crônicas, hipertensão, câncer, histórico de AVC, obesidade, tabagismo e asma.

Publicado recentemente na  Revista Brasileira de Epidemiologia , o estudo reforça alguns pontos já conhecidos sobre o coronavírus . No geral, os fatores de risco são mais prevalentes em idosos a partir dos 65 anos, mas há duas exceções importantes: obesidade e tabagismo são predominantes em adultos jovens, abaixo dessa idade.

Outro destaque da análise é que o sudeste da capital paulista, que compreende as subprefeituras da Mooca, Aricanduva, Vila Prudente e Ipiranga, tem a maior prevalência (59,8%) de pessoas com um ou mais fatores de risco para a covid-19 grave. Em seguida, vêm as regiões norte (58,7%) e sul (56%). Relativamente, a zona centro-oeste teve menor registro (53,8%), apesar da elevada proporção de idosos. 

Por fim, Beatriz analisa que os dados mostram que, embora fatores biológicos tenham peso, as condições socioeconômicas também contribuem para maior ou menor agravamento da Covid . “Dados como esse ajudam na gestão de recursos, de leitos hospitalares e, de forma mais ampla, levam a refletir sobre a situação de iniquidade das condições de saúde da população”. Esta matéria contém informações do Estadão

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