São Paulo
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Em cerca de 30 dias, casos confirmados aumentaram mais de 50% em bairros de classe A e B

A circulação do  novo coronavírus voltou a crescer nas regiões mais ricas da cidade de São Paulo num ritmo que supera o contágio registrado na periferia. A constatação é do inquérito sorológico que a prefeitura paulistana apresentará na próxima semana. Preocupado com o resultado, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, antecipou o dado nesta sexta-feira (11) durante entrevista coletiva.

Segundo a investigação junto à população, houve um aumento de cerca de 56% do número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus nas classes A e B em comparação ao inquérito sorológico realizado em agosto com a população adulta. Os números absolutos não foram divulgados. 

O índice quase o dobro do registrado entre os mais pobres . O GLOBO apurou que nesta parcela da população o aumento registrado foi de 30% em comparação ao retrato do mês passado.

"Alguns números deixaram a secretaria (de Saúde) e a prefeitura preocupadas, como um aumento de 56% do número depessoas com o coronavírus nas classes A e B. Essa foi uma doença que começou na região central da cidade e depois atacou em especial a periferia. Mas agora esse inquérito está trazendo esse dado", afirmou Covas

O inquérito sorológico funciona como um retrato do comportamento do vírus. Os testes tentam mostrar qual percentual da população já teve contato com ele e, portanto, está imunizada. 

O aumento de contágio nas classes A e B é preocupante porque representa uma inversão do comportamento da epidemia na cidade e pode apontar para uma nova onda da doença. A pandemia começou pelos moradores mais ricos e bairros com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) na capital, mas, logo, chegou à periferia, onde o contágio se deu em níveis mais elevados e por mais tempo. O quadro se mantinha assim até agosto, conforme o inquérito sorológico divulgado há cerca de duas semanas pela prefeitura.

A suspeita da equipe de saúde municipal é que o contágio cresceu nos bairros mais ricos por causa de um aumento da circulação das pessoas nessas regiões motivado pela reabertura de bares, restaurantes e a volta ao trabalho presencial.

"Não temos dados para afirmar que significa uma nova onda, mas precisamos ficar atentos", afirmou o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido.

Os dados do inquérito sorológico (é a quinta fase do estudo entre adultos) ainda estão sendo sistematizados, mas Aparecido antecipou que o crescimento nas classes A e B foi puxado por um contágio maior entre os mais jovens.

No mês passado, inquérito sorológico apontou que 11% da população paulistana havia sido infectada pelo vírus . Esse índice está em torno de 14%, segundo o levantamento deste mês.

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