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Divulgação/ iG Saúde
Luiz Fernando Lima Reis, Ph.D., Diretor de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês

O diretor de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libânes , Luiz Fernando Lima Reis, participou do programa Último Segundo Em Cima do Fato do Portal iG nesta sexta-feira (18) e explicou o processo de aprovação de aprovação das vacinas que combatem o novo coronavírus (Sars-Cov-2) e os motivos pelo qual o país vive uma segunda onda de casos da doença.

Luiz havia viralizado no ínicio de dezembro após um vídeo em que ele explica desde o contato do vírus com o nosso corpo até as diferenças na formulação das vacinas, se espalhar pelo WhatsApp .

O especialista contou que gravou o vídeo após uma amiga pedir para que ele explicasse melhor a questão das vacinas e a forma que eles atuavam no corpo, e que se surpreendeu com a repercussão positiva.

Na última quinta-feira (17) , o Brasil registrou  1054 mortes em decorrência do vírus . Essa é 1ª vez desde setembro que o país registra mais de mil óbitos em 24 horas. O Médico alertou para a "abaixada de guarda" que a população mostrou:

"Não houve nada de novo no virus, infelizmente não é só o Brasil, estamos vivendo a segunda onda por que a gente cansou e relaxou, quando a curva baixou nós abaixamos a guarda", disse. "A gente cansou do vírus, mas o virus nao cansou da gente”, aponta.

Luiz Fernando citou as pequenas reuniões entre familiares e amigos como "o principal fator de risco para disseminação", pois são os momentos em que as pessoas se descuidam. "Precisamos ter um final de ano com juízo, com cuidado, porque se não veremos um janeiro ainda pior do que estamos vendo. O resultado dessa festa será tão pior quanto menos cuidadosos formos”

O médico fez questão de elogiar a comunidade científica , que "entendeu os desafios da humanidade" e trouxe em tempo recorde uma vacina contra a Covid-19:

"As vacinas foram obtidas em tempo recorde, um dos motivos disso é a comunidade científica ter entendido o desafio da humanidade e houve uma enorme colaboração, os esforços foram todos concentrados nos últimos 12 meses em estudar Covid-19. A gente não sabia tratar a doença, e o tratamento foi avançando, a mesma coisa com a vacina, ao invés de enxergarmos isso com aspecto negativo, eu vejo de um lado com muita responsabilidade", afirma.

O diretor do Sírio-Libânes também discorreu sobre o motivo das vacinas contra a Covid-19 terem sido liberadas em tempo recorde , e que apesar disso, não há motivos para acreditar que há riscos em se imunizar:

"O método de desenvolvimento para as vacinas está seguindo com todo rigor. Não existe nenhuma razão para que as vacinas que estão chegando ao mercado, sendo desenvolvidas agora, tenham algum risco, que não seja o mesmo que temos com qualquer outra vacina", afirmou.

Ainda sobre o assunto, explicou que reações alérgicas após se vacinar são comuns, mas que até então não houveram "eventos adversos" que parassem os testes dos imunizantes:

"É muito comum que eventualmente pessoas quando se vacinam contra a gripe apresentem sintomas gripais, é uma reação, então é esperado que haja na vacinação pessoas que desenvolvam febre ou dor no corpo. Fato é que nenhuma vacina até agora apresentou evento adverso que fizesse com que elas fossem interrompidas".

Para o médico, a Fiocruz e o Instituto Butantan , que são "referências mundias" no meio científico, serão importantíssimas para o país, pois elas irão produzir "nossa própria vacina" a partir do segundo semestre de 2020.

Contudo, ele antevê que mesmo que a tendência seja que nos próximos meses os imunizantes cheguem no Brasil, a "vida normal" não retornará tão cedo, e que o foco primário é evitar o colapso no sistema de saúde:

"Teremos que conviver com essa pressão até que a maioria da população esteja imunizada. O papel da vacina é muito importante, para reduzir a pressão sob o sistema da saúde, para quem eventualmente desenvolva a doença encontre leitos de UTI para ser tratado".

Confira a entrevista completa:




(*) Por Gabriel Herbelha, supervisionado pela equipe do último Segundo


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