Unidade de Pronto Atendimento de Ermelino Matarrazo, na Zona Leste de São Paulo, registrou falta de oxigênio na sexta-feira
Heloisa Ballarini/Secom/Prefeitura de São Paulo
Unidade de Pronto Atendimento de Ermelino Matarrazo, na Zona Leste de São Paulo, registrou falta de oxigênio na sexta-feira

Pela primeira vez desde o início da pandemia , a prefeitura de São Paulo registrou falta de oxigênio em uma unidade de Saúde. Dez pacientes que recebiam atendimento na UPA Ermelino Matarazzo, na Zona Leste da capital paulista, tiveram que ser transferidos na noite desta sexta-feira (19). Segundo o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, o problema ocorreu devido à falta de fornecimento pela empresa White Martins , principal produtora do insumo no país.

Durante a madrugada, uma fila de ambulâncias se formou na porta da UPA para transportar os pacientes para outros serviços de saúde. Apesar do susto, Aparecido afirmou neste sábado (20) que o fornecimento do insumo já foi normalizado na unidade. A White Martins negou o atraso no envio de oxigênio, disse que não houve falta na UPA Ermelino Matarazzo e se comprometeu a enviar esclarecimentos sobre o que ocorreu.

As UPAs prestam o primeiro atendimento a pacientes com sintomas de Covid-19 . Em casos mais graves, mas que não necessitam de sedação e intubação, o paciente pode ficar internado na unidade e receber oxigênio.

De acordo com Aparecido, o consumo de oxigênio na rede municipal de saúde triplicou desde o ano passado. O salto foi de 55 mil metros cúbicos diários para 178 mil. Para tentar resolver isso, o município pediu ajuda para a Fiesp e estuda baixar um decreto para regular a distribuição de oxigênio em São Paulo.

"Seria uma medida emergencial para que seja priorizado o abastecimento de oxigênio nos hospitais públicos, já que a empresa cometeu uma falha importante e o município não pode correr esse risco", disse o secretário.

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Com a demanda de oxigênio pressionada pela nova onda da pandemia, Aparecido pediu 250 cilindros emprestados para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

"A indústria siderúrgica, mecânica e estamparia tem muitos cilindros de oxigênio. A intenção é ter uma reserva para não correr o risco de faltar. Daqui a dois meses, quando a situação melhorar, devolvemos os cilindros, explicou Aparecido.

"Em condições normais, a gente abastecia as UPAs de oxigênio uma vez por semana. Agora, precisamos abastecer três vezes ao dia por causa do aumento do número de pacientes que chegam com Covid-19."

O secretário contou ainda que o Hospital Municipal Doutor Ignácio de Proença Gouveia, também conhecido como Hospital João 23, na Mooca, na Zona Leste, chegou a ficar com uma reserva de apenas uma hora de oxigênio até a empresa fazer o abastecimento.

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