Remédios para intubação estão em falta tanto na rede pública quanto na privada
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Remédios para intubação estão em falta tanto na rede pública quanto na privada

O governo federal requisitou à iniciativa privada todo o estoque de medicamentos utilizados para intubar pacientes após receber a informação de que o estoque do SUS pode terminar em 15 dias . A  Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) , representante dos hospitais privados, diz que destiná-los ao SUS pode fazer com que acabem em até 48 horas . As informações são da coluna da Monica Bergamo , da Folha de S. Paulo.

Diante da alta de internações por Covid-19 em todas as unidades federativas, há escassez de insumos como sedativos, anestésicos e bloqueadores musculares— indispensáveis para a intubação de pacientes.

"Precisamos que o governo dialogue o quanto antes com o setor privado. Nossos estoques estão muito baixos e não estão sendo repostos pela indústria por conta das requisições administrativas que o ministério está fazendo nas fábricas", afirma o diretor-executivo da Associação Nacional de Hospitais Privado (Anahp), Marco Aurélio Ferreira. "A situação é preocupante porque os hospitais estão lotados. Alguns medicamentos podem acabar em até 48 horas", segue.

O diretor-executivo da Anahp diz que, após realizar pesquisa com hospitais privados, foi informado que os medicamentos durariam entre 5 e 15 dias; mas, com o aumento da demanda e o corte do fornecimento, o prazo foi encurtado.

Segundo a coluna, profissionais do setor afirmaram que o governo, ao invés da requisição dos medicamentos, deveria providenciar o aumento da fabricação e da importação dos medicamentos.

Nesta sexta-feira (19), a  Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa) anunciou que vai permitir a importação direta de insumos por hospitais e redes hospitalares para agilizar o acesso a medicamentos de intubação e equipamentos de suporte ventilatório.

Em carta aberta obtida pela Folha de S. Paulo e que deve ser enviada nos próximos dias, a associação detalha a situação dos estoques e afirma que a situação também está crítica na rede privada. Confira, abaixo, a íntegra da carta.

RISCO IMINENTE DE FALTA DE MEDICAMENTOS PARA PACIENTES COM COVID-19

A situação é crítica e, se medidas urgentes não forem tomadas em âmbito nacional, mais pacientes morrerão.

Há um ano, o Brasil tem se mobilizado para o enfrentamento ao novo coronavírus (Covid-19). A saúde, sem dúvida, é um dos setores mais afetados pela pandemia, e tem se deparado com vários desafios importantes.

Um dos mais graves, neste momento, é a iminente escassez de medicamentos necessários para atendimento aos pacientes graves acometidos pela Covid-19, bem como a requisição desses medicamentos pelas secretarias municipais de saúde e pelo Ministério da Saúde.

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Em levantamento realizado pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), junto aos seus associados, no dia 18 de março de 2021, ficou clara a escassez de medicamentos essenciais para o tratamento de pacientes acometidos pela Covid-19, especialmente os sedativos necessários para intubação. Alguns destes medicamentos têm estoque médio de apenas quatro dias, como é o caso do propofol e cisatracurio.

Estoque atual:

•Propofol – 4 dias

•Cisatracurio – 4 dias

•Atracúrio – 4 dias

•Rocuronio – 9 dias

•Midazolam – 14 dias

•Fenatanila – 19 dias

Entendemos a preocupação do governo em garantir os insumos necessários para a atenção aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), mas a situação do setor privado também é bastante preocupante e, certamente, atingirá o seu ápice nos próximos dias. Caso essas instituições fiquem sem as medicações necessárias para os procedimentos exigidos em pacientes acometidos pela Covid-19, a alta demanda dos hospitais privados sobrecarregará ainda mais o setor público– agravando a situação do sistema de saúde brasileiro.

Nos últimos dois dias, houve várias requisições, desorganizando a cadeia de suprimentos e privando hospitais dos recursos necessários já contratados para atender à crescente demanda de pacientes com a Covid-19.

Assim sendo, solicitamos ao Ministério da Saúde e demais órgãos competentes atenção urgente em relação à esta questão crítica que a saúde está vivendo, colocando em risco a vida dos pacientes.

Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp)"

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