Hospital de Campanha de Santarém, no Pará
Pedro Guerreiro / Ag. Pará
Hospital de Campanha de Santarém, no Pará

"As vidas não esperam a morosidade de algumas decisões." É essa a lição que a enfermeira Juliana Almeida Nunes, especialista em controle de infecções do Hospital Sírio-Libanês, acha que o Brasil tem a aprender sobre a demora na vacinação no dia em que o número de mortes para Covid-19 ultrapassou a marca de 300 mil .

"A gente achou que estaríamos em uma situação melhor um ano depois, mas agora parece que as pessoas relaxaram. As coisas foram se normalizando com 300 mortes, 400, 500, até nos chegarmos onde estamos. Nós já tivemos mais de 3 mil pessoas morrendo em um dia e parece que ninguém se importa", afirma Nunes.

De acordo com o Conselho Nacional se Secretários de Saúde (Conass), o Brasil registrou 1.999 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, fazendo o total subir para 300.675. Em casos confirmados, a quantidade foi de 89.414, somando 12,2 milhões de contaminações.  Vale destacar, que os números não incluem as ocorrências no Amapá e no Ceará, que não atualizaram os dados por problemas técnicos.

Na análise da média móvel de óbitos dos últimos sete dias no país, a quantidade desta quarta-feira (24) é 2.271. O valor é menor que o registrado ontem, que era de 2.436. Antes dessa redução, o Brasil vinha batendo sucessivos recordes que chegaram a quase um mês.

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"As pessoas não se sensibilizam mais. Eu já pensei muito sobre isso, se as pessoas precisam de mais informações. Só que mais informações que o que nós já estamos dando é impossível", lamenta a especialista.

Apesar do cenário já crítico, a enfermeira do Sírio, lembra que a situação ainda pode piorar. Isso porque o Brasil se aproxima da época do ano em que o tempo fica mais frio e seco, período em que doenças relacionadas a síndromes respiratórias se tornam mais comuns. "Com a queda das temperaturas, as pessoas tendem a se aglomerar dentro de casa. Isso é o que a gente fala que não pode fazer, ficar em lugares fechados e pouco ventilados", diz.

Pessoas que conscientizaram são insuficientes

Pelo que observa em seu trabalho no Sírio-Libanês, Nunes conta que existem pessoas que tomaram consciência da gravidade da situação da pandemia, mas também afirma que existem aquelas que continuam menosprezando a Covid-19.

Esses pacientes, segundo a profissional da saúde, são aqueles que não tiveram pessoas próximas que passaram por situações graves ou que elas mesmas não passaram por isso. "Muita gente começou a se preocupar mais, mudar o comportamento, usar máscara e fazer o distanciamento, mas essas pessoas são muito poucas. Elas sozinhas não adianta quase nada", afirma.


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