CureVac: o que explica o resultado fraco dessa vacina de mRNA?
Kaique Lima
CureVac: o que explica o resultado fraco dessa vacina de mRNA?

O rápido desenvolvimento de vacinas de DNA mensageiro (mRNA), como os imunizantes da Pfizer e da Moderna, elevaram as expectativas em relação à essa tecnologia. Porém, a vacina CureVac mostrou que nem todo projeto de mRNA corresponderá às expectativas empregadas em cima delas e, infelizmente, alguns acabarão apresentando resultados mais fracos.

No caso da empresa de biotecnologia alemã, além da proliferação de variantes do vírus, algumas escolhas cruciais diferenciam os resultados de sua candidata quando comparados com a de projetos que alcançaram até 90% de eficácia, embora os resultados de diferentes imunizantes não sejam comparáveis entre si. Um desses elementos foi a dosagem, os executivos da CureVac disseram que, provavelmente, não estavam usando mRNA o suficiente para induzir a uma imunidade forte.

A dosagem baixa foi necessária, já que a empresa estava usando um tipo diferente de mRNA do que as usadas por Pfizer e Moderna. Essa escolha foi feita porque quantidades maiores poderiam aumentar os riscos de efeitos colaterais nos voluntários. Com isso, o resultado da vacina foi de apenas 47% de eficácia contra infecções por Covid-19.

Vamos com calma

Apesar dos resultados fracos, ainda é cedo para chamar a CureVac de fracasso, porém, os resultados preliminares abaixo da média colocaram as escolhas feitas pela empresa em xeque, sugerindo que as variantes do vírus podem não ser as únicas responsáveis pelo fraco desempenho da vacina nesses testes.

Caso a CureVac não consiga a aprovação de órgãos de vigilância sanitária para sua vacina de primeira geração, a realização de testes clínicos para uma versão de segunda geração da vacina que seja mais promissora será dificultada. Essa segunda versão seria mais potente, mesmo sem envolver a modificação do do mRNA, mas pela otimização da fórmula.

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“Havia espaço para melhorias para a tecnologia” no contexto do desenvolvimento de uma dose da Covid de segunda geração, disse a porta-voz do CureVac, Sarah Fakih, à Bloomberg . “Também poderíamos discutir se era o melhor candidato. Mas os resultados não têm uma leitura da tecnologia que não está funcionando”, continuou a assessora.

Porém, se for aprimorada, a abordagem da CureVac pode ter vantagens em relação aos imunizantes de Pfizer e Moderna, já que deixa o mRNA em um estado mais natural, enquanto suas concorrentes utilizam compostos químicos para “mascarar” seus produtos.

Apesar do contratempo, a CureVac diz que continuará o desenvolvimento de seu imunizante e buscará a aprovação regulatória, já que, segundo eles, mais vacinas são necessárias.

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