Adolescente dos EUA desenvolve psicose após infecção por Covid-19
Flavia Correia
Adolescente dos EUA desenvolve psicose após infecção por Covid-19

Um menino de 14 anos, morador do Condado de Orange, na Califórnia, EUA, foi hospitalizado com sinais de psicose. Os médicos acreditam que o quadro pode ser decorrente da infecção por Covid-19.

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Segundo relato da família do garoto Daniel Salinas, em entrevista à CBS, ele começou a ter problemas psiquiátricos cerca de um mês depois de contrair o vírus em uma festa de aniversário. Desde então, especialistas de todo o mundo têm monitorado o fenômeno, já que alguns médicos afirmam que distúrbios de humor podem estar ligados à Covid de longa duração.

Os pais dizem que o jovem ainda está se recuperando das sequelas de sua infecção. Eles afirmam que pelo menos quinze membros da família contraíram o vírus. 

Wilma Singh, mãe de Daniel, disse que começou a perceber uma mudança de comportamento no filho quando ele começou a se recuperar da infecção. Segundo ela, o primeiro sinal foi uma enxaqueca na primeira semana de agosto. “Eu senti como se ele tivesse aquela enxaqueca forte, dormiu e acordou uma pessoa diferente, alguém que está mais agitado, com raiva, ansioso… o oposto do meu filho”.

No dia seguinte, ela recebeu um telefonema do irmão mais novo de Daniel, em pânico, alegando que o garoto estava “agindo como um louco” e falando sozinho.

Então, Daniel foi levado às pressas para atendimento médico e, em seguida, transferido para o Hospital Infantil do Condado de Orange, onde os médicos fizeram testes na tentativa de compreender sua mudança repentina de comportamento.

Michael Daignault, médico do pronto-socorro, disse que o caso de Daniel era incomum, pois os demais casos de “psicose de Covid” dos quais ele já teve notícia eram em adultos que sofriam da doença por um longo período. 

De acordo com Daignault, o desenvolvimento de psicose de Covid em crianças pode estar relacionado à estrutura cerebral. “Eu acho que seus cérebros são mais suscetíveis à inflamação no sistema nervoso central, que está levando a esses casos de psicose em crianças”, explica. 

Estudo britânico analisa casos de psicose de Covid

Casos de psicose originados em doenças virais foram documentados desde al pandemia de gripe espanhola, em 1918. Um estudo publicado no ano passado, no jornal médico britânico Lancet Psychiatry, encontrou casos do que se pensava ser psicose induzida por Covid também na Grã-Bretanha. 

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A pesquisa, feita com 153 pacientes tratados em hospitais do Reino Unido durante a primeira onda de Covid, encontrou uma série de complicações neurológicas e psiquiátricas potencialmente ligadas ao vírus.

Realizado pelo CoroNerve Studies Group, o estudo revelou que o derrame foi a complicação neurológica mais comumente relatada em pacientes internados com Covid.

No entanto, muitos pacientes mais jovens hospitalizados com o vírus em abril de 2020 desenvolveram estados mentais alterados, como psicose ou catatonia, segundo os pesquisadores. 

Trinta e nove pacientes avaliados pela equipe tiveram o estado mental alterado depois de pegar o vírus, e metade desses casos era de pessoas com menos de 60 anos. Seus diagnósticos incluíram síndromes clínicas que variam de inflamação do cérebro (encefalite) e condições psicológicas, incluindo psicose.

Tom Pollak, do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King’s College London, afirmou, na época da publicação do estudo, que ainda estava em investigação se os problemas eram efeitos diretos do vírus no cérebro, da inflamação geral ou consequência de uma resposta imune hiperativa. 

Segundo Pollak, não se descarta a possibilidade de relação com a ansiedade e a paranoia na saúde mental surgidas durante a pandemia, já que muitas pessoas sofriam de medo, isolamento e perda.

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