Mural da 'Mulher Maravilha' na luta contra a Covid em Codogno
Reprodução/Ansa
Mural da 'Mulher Maravilha' na luta contra a Covid em Codogno


Com o ritmo de vacinação caindo semana a semana, a Itália já começa a discutir a hipótese de instituir a obrigatoriedade de imunização contra a Covid-19 para evitar que o novo coronavírus se aproveite da parcela  desprotegida da população para continuar se disseminando.

A discussão é incipiente e promete enfrentar resistência, mas alguns políticos e até representantes do governo já defendem a ideia abertamente.

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"Essa é a última chamada para a vacinação. Se não superarmos a barreira de 80% da população com a imunização iniciada até 15 de setembro, vamos avaliar a possibilidade de uma forma de obrigatoriedade", disse ao jornal La Stampa o subsecretário do Ministério da Saúde, Pierpaolo Sileri.

Segundo ele, a medida pode ser destinada apenas a determinadas faixas etárias, como os mais velhos. "Eu protegeria quem tem mais de 40 anos, não podemos continuar atrapalhando o trabalho rotineiro dos hospitais [com internações por Covid]", acrescentou.

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De acordo com o portal Our World in Data, cerca de 70% da população da Itália já tomou ao menos uma dose de vacinas contra o novo coronavírus, mas o ritmo de imunização vem caindo desde a primeira metade de julho.

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O Ministério da Saúde aponta que foram aplicadas quase 3,9 milhões de doses entre 11 e 17 de julho, número que caiu para 1,5 milhão no período entre 15 e 21 de agosto, semana do dia de Ferragosto, principal feriado do ano no país.
Nem mesmo a instituição de um passe sanitário para acesso a determinados locais, como academias, cinemas, eventos esportivos e áreas cobertas de restaurantes, serviu para estimular a imunização, já que o certificado é dado não apenas a vacinados, mas também para curados ou testados contra a Covid.

"Vacinar-se é um dever moral e cívico consigo mesmo e com os outros. Um dever que deve ser sancionado por lei, não há alternativas", defendeu o secretário-geral da Confederação Italiana dos Sindicatos dos Trabalhadores (Cisl), Luigi Sbarra, à emissora Rai Tre. "Sim à obrigatoriedade de vacinação por lei para todos os cidadãos", acrescentou.

Já o governador da Toscana, Eugenio Giani, disse que seria "puramente natural" obrigar os cidadãos a se vacinar contra o novo coronavírus. "Lembro-me de quando me vacinei contra a varíola. A vacinação era obrigatória, mas ninguém se escandalizava", afirmou.

A eventual obrigatoriedade, no entanto, enfrentaria resistência de partidos de extrema direita, que detêm uma fatia importante do Parlamento e estão inclusive na coalizão do premiê Mario Draghi.

"Eu me vacinei porque foi uma escolha livre, mas isso não me dá o direito de impor minha escolha aos outros", disse há algumas semanas o senador e ex-ministro do Interior Matteo Salvini, que tomou seu imunizante apenas em 23 de julho, após Draghi ter dito que políticos que questionam vacinas aprovadas fazem um "apelo à morte".

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