Fachada do prédio da Anvisa
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
Fachada do prédio da Anvisa

Anvisa suspendeu o uso e a importação da proxulutamida no Brasil . A Agência também deve abrir uma investigação sobre o medicamento, para apurar se os responsáveis pela importação da substância apresentaram documentos inadequados para conseguir a importação. A decisão teria sido tomada por unanimidade pelos membros do conselho, com anuência do diretor-geral Antônio Barra Torres. 

O medicamento foi celebrado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para o tratamento da covid-19 mesmo sem ter eficácia comprovada para este fim. Desenvolvido na China, a substância é um bloqueador hormonal, e está em fase de testes para o tratamento de câncer de próstata.

De acordo com a colunista Malu Gaspar, d'O Globo, o grupo que estuda os efeitos da proxalutamida contra covid-19 no Brasil importou o medicamento na modalidade remessa expressa da Anvisa, onde a entrada de substâncias para desenvolvimento de estudos científicos é autorizada. 

O Ministério Público Federal do Amazonas e do Rio Grande do Sul investigam as pesquisas por suspeitas de irregularidades na administração dos medicamento e na compilação dos resultados. Agora, a importação fica suspensa até mesmo para todas as pesquisas em curso.

Em nota, a Anvisa informou que a decisão foi motivada "a partir de diligências provenientes da Procuradoria da República no Rio Grande do Sul e diante da veiculação de notícias de condução de pesquisas com o uso de proxalutamida em seres humanos, as quais dão conta que unidades hospitalares e clínicas estariam usando o produto à base de proxalutamida à revelia dos estudos científicos aprovados pelo sistema CEP/CONEP."

A Agência vai instaurar um dossiê de investigação para obter mais informações sobre os produtos à base da substância importados e utilizados no Brasil; e notificar os serviços de saúde envolvidos na condução das pesquisas.

Um processo administrativo será instaurado para apurar "possíveis infrações sanitárias decorrentes da apresentação, pelo importador, de documentos ou informações que tenham por objetivo induzir a Agência na anuência de importação irregular de medicamentos para uso em humanos", diz o texto.

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