Chanceler  da Alemanha, Olaf Scholz
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Chanceler da Alemanha, Olaf Scholz

O governo da Alemanha anunciou nesta sexta-feira (07) o aperto das restrições sanitárias no país, em uma tentativa de conter o  avanço da variante Ômicron e incentivar a procura por doses de reforço. Lidando com recordes diários de casos, o chanceler Olaf Scholz e as lideranças regionais concordaram que só pessoas que já receberam a dose adicional poderão frequentar bares, restaurantes e outros espaços gastronômicos sem apresentar testes negativos para o coronavírus .

Em um discurso após uma reunião com os premieres dos 16 estados do país, Scholz afirmou que o governo planeja distribuir 30 milhões de injeções extras até o fim de janeiro. Quem já tomou o reforço ficara isento de realizar quarentena após ter contato com uma pessoa já infectada — medida similar à anunciada por Portugal na quinta.

"As vacinas são importantes. Precisamos fazer mais progresso aqui", disse o político social-democrata, que substituiu Angela Merkel no início de dezembro. 

"Está claro que a Ômicron ficará conosco por um tempo, então ainda não podemos dar um sinal verde para o nosso sistema de saúde", completou ele, afirmando que o aumento das internações é esperado.

A Alemanha ainda não vê um aumento de casos tão drástico quanto outros países da região. A média móvel atual do pais é 12% inferior a duas semanas atrás, contagem que pode ter sido prejudicada pelas festas de fim de ano. Na vizinha França, por exemplo, os casos aumentaram 192% no mesmo intervalo. Na Itália, cresceram mais de 315%.

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Já há, contudo, um aumento da incidência de semanal de casos por 100 mil pessoas, segundo o Instituto Robert Koch, a principal autoridade sanitária do país. O índice caiu por quase todo o mês de dezembro, mas desde então voltou a ultrapassar a casa dos 300 por 100 mil habitantes, ainda bem menos que os 450 por 100 mil que via no fim de novembro.

O governo, ainda assim, se prepara para uma alta, buscando medidas que fujam de novas quarentenas ou restrições de locomoção mais draconianas — estratégia que vem sendo a preferencial nesta nova etapa da pandemia, aparentemente menos letal. A principal economia da Europa já está em uma espécie de quarentena dos não vacinados, que têm acesso limitado a lojas não essenciais, restaurantes e teatros.

Também há em vigor regras que determinam o uso de máscaras, com recomendações para que a população dê preferência aos modelos N95 e PFF-2, e restrições a aglomerações públicas. Vários dos estados alemães, que têm autonomia para ditarem suas próprias políticas sanitarias, também acirraram suas próprias diretrizes.

"[O setor da] gastronomia é um problema, porque as pessoas geralmente se sentam por horas sem máscara", havia dito na quinta o ministro da Saúde, Karl Lauterbach. "Nós precisamos reduzir ainda mais o contato".

Há meses, e antes mesmo de ser empossado como chanceler, Scholz defende a vacinação obrigatória, e chegou a pedir para que a Comissão de Ética do país formulasse um projeto de lei para implementá-la. A ideia, contudo, perde cada vez mais apoio no país, que já aplicou a segunda dose em mais de 71% de sua população.

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