Número de mortes de hospitalizados que não chegam à UTI cresce em meio a avanço da Ômicron
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Número de mortes de hospitalizados que não chegam à UTI cresce em meio a avanço da Ômicron

Com a maior parte dos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) ocupados no mês de janeiro, em decorrência do aumento de casos variante Ômicron , o país registrou uma alta no número de mortes em outras áreas dos hospitais, que não são apropriadas para o atendimento de pacientes graves. As informações estão em uma nota técnica divulgada pela Fiocruz nesta terça-feira e leva em conta hospitalizados por várias enfermidades, e não só Covid-19.

Das 5.764 mortes de hospitalizados registradas no mês de janeiro, 2.811 (48,76%) constam como ocorridas fora do ambiente da UTI ou aparecem no sistema do Ministério da Saúde como “sem informação”. De acordo com os pesquisadores, o percentual de óbitos fora da UTI no mês de janeiro deste ano só ficou atrás dos patamares de maio e abril de 2020. Naqueles meses, esses percentuais foram de 56,18% e 54,13%, respectivamente.

A falta de acesso da população à terapia intensiva, em que pacientes graves ficam sob cuidados e supervisão constante de médicos e enfermeiros, denota um quadro de desassistência durante o pico da Ômicron no Brasil, dizem os especialistas.

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Apesar de menos letal, a variante da Covid-19 infectou um número expressivo de pessoas e levou à maior ocupação de leitos de UTI, cenário que se soma ainda à  epidemia de influenza e às demandas de outros problemas de saúde.

"A proporção de pessoas que morreram sem o atendimento adequado é grande. Se as pessoas falavam que a Covid-19 não era grave do ponto de vista individual, do ponto de vista de saúde clínica ela é, sim, um grande problema. Esses números são a expressão do colapso do sistema", afirma Diego Xavier, pesquisador que coordenou a análise.

"O que houve foi uma combinação de um grande volume de casos da variante Ômicron, com o aumento da  influenza e a retomada de atendimentos represados que estava acontecendo no Brasil. Muita gente precisou de atendimento, mas não tinha."

O estudo aponta ainda que o fenômeno ocorreu em quase todos os estados do país. Em alguns deles, no entanto, foi de forma mais elevada, como no Acre, Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.

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