
O Brasil enfrenta, nos últimos meses, um surto incomum de intoxicações por metanol no Estado de São Paulo, associado ao consumo de bebidas alcoólicas possivelmente adulteradas. Diferentemente de episódios anteriores, geralmente restritos a grupos em situação de vulnerabilidade social, os casos mais recentes envolveram bares, adegas e consumidores de diferentes perfis, levando autoridades sanitárias a classificarem o cenário como “anormal”.
Tradicionalmente, as intoxicações por metanol no país estavam ligadas ao consumo de álcool industrial, produtos clandestinos ou bebidas mal identificadas, atingindo principalmente pessoas em situação de rua ou trabalhadores expostos a esse tipo de substância.
Desta vez, porém, o alcance das ocorrências ampliou o alerta e provocou impactos diretos no mercado formal de bebidas destiladas.
A situação gerou apreensão entre consumidores e trouxe prejuízos para comerciantes, como donos de bares, adegas e supermercados, que passaram a enfrentar desconfiança generalizada quanto à procedência dos produtos.
O reflexo foi imediato: após a divulgação dos casos, o setor registrou uma queda de 11% nas vendas de destilados no país, resultado atribuído à perda de confiança em grandes marcas e em bebidas de origem duvidosa.
Para intensificar o enfrentamento à contaminação por metanol, o Governo do Estado de São Paulo instituiu, no dia 30 de setembro, um gabinete de crise. A força-tarefa reúne as secretarias estaduais da Saúde, Segurança Pública, Fazenda e Justiça, além das pastas de Desenvolvimento Econômico e Comunicação, com apoio das vigilâncias sanitárias municipais.
Entre as ações coordenadas estão a interdição cautelar de estabelecimentos suspeitos, o recolhimento de garrafas para análise pericial e o reforço na fiscalização da cadeia de distribuição.
Apesar do impacto negativo inicial, o episódio acabou acelerando uma transformação já em curso no comportamento do consumidor brasileiro.
Mais atento à procedência, à segurança e aos métodos de produção, o público passou a valorizar rótulos com maior rastreabilidade, transparência e identidade clara, impulsionando o crescimento das destilarias artesanais no país.
“O consumidor atual quer entender o que está por trás de cada garrafa"
Nesse novo cenário, destilarias artesanais surgem como referência de qualidade e segurança. Um dos exemplos é a BEG Destilaria, localizada em Joaquim Egídio, distrito histórico de Campinas (SP), reconhecida internacionalmente por seus gins artesanais e premiada pela excelência de seus rótulos.

Segundo Arthur Flosi, sócio-fundador da BEG Destilaria, o momento evidencia uma mudança estrutural no mercado de destilados.
“O consumidor atual quer entender o que está por trás de cada garrafa, quem produziu, como foi feito e de onde vêm os ingredientes. As bebidas artesanais atendem essa demanda por autenticidade e confiança”, afirma.
Além da produção controlada, a BEG investe em uma proposta que vai além do consumo: a BEG Experience, um tour guiado que oferece uma imersão completa no processo produtivo do gin.
O Portal iG foi conhecer essa proposta em que o público acompanha todas as etapas da fabricação, desde a escolha dos botânicos até a destilação e o engarrafamento.
A experiência inclui degustações exclusivas e a possibilidade de o visitante criar sua própria receita personalizada, sob orientação da equipe da destilaria.
Ao final, cada participante leva para casa uma garrafa única, desenvolvida a partir de suas preferências de aromas e sabores.
“A BEG Experience foi criada para aproximar as pessoas do que elas consomem. Quando o visitante entende o processo e participa da criação, ele passa a beber com mais consciência. Esse vínculo é o que realmente transforma o mercado”, destaca Flosi.
Novo perfil de consumidor impulsiona o setor
Dados da Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD) indicam que o segmento de destilados premium e artesanais cresce cerca de 15% ao ano no Brasil.
Levantamentos da IWSR Drinks Market Analysis apontam avanço superior a 12% anuais, impulsionado principalmente por consumidores jovens, informados e atentos a critérios como qualidade, sustentabilidade e propósito.
Esse novo perfil busca mais do que sabor. Quer conhecer a história por trás da bebida, entender os processos produtivos e confiar na marca que escolhe.
Destilarias que apostam em produção limitada, controle rigoroso e relacionamento direto com o público ganham espaço e ajudam a reconstruir a confiança em um momento sensível para o setor.
Reconhecida em concursos internacionais, a BEG Destilaria combina tecnologia, tradição e design para criar rótulos que se destacam pela pureza e equilíbrio, reforçando o potencial brasileiro no cenário global de destilados artesanais.
“Ser uma destilaria premiada é motivo de orgulho, mas o verdadeiro reconhecimento acontece quando vemos o consumidor valorizando a autenticidade. O consumo consciente não é uma tendência passageira. Ele veio para ficar”, conclui Arthur Flosi.