A Doença de Alzheimer (DA) é um transtorno neurodegenerativo progressivo que provoca a perda gradual das funções cognitivas, especialmente da memória. Com o avanço do quadro, a doença compromete cada vez mais a capacidade de realizar atividades do dia a dia e pode causar sintomas neuropsiquiátricos e mudanças no comportamento.
A doença surge quando ocorre uma falha no processamento de determinadas proteínas do sistema nervoso central. Como resultado, formam fragmentos proteicos tóxicos que se acumulam dentro dos neurônios e nos espaços entre essas células.
Esse processo provoca a perda progressiva de neurônios em áreas importantes do cérebro. Entre elas estão o hipocampo, responsável pela memória, e o córtex cerebral, região ligada a funções como linguagem, raciocínio, reconhecimento de estímulos sensoriais e pensamento abstrato.
De acordo com o Ministério da Saúde, a causa exata da doença ainda não é conhecida, mas há indícios de que fatores genéticos estejam envolvidos. O Alzheimer é a forma mais comum de demência neurodegenerativa em pessoas idosas, sendo responsável por mais da metade dos casos registrados nessa faixa etária.
Uma pesquisa do Instituto Datafolha, encomendada pela farmacêutica Eli Lilly e divulgada nesta segunda-feira (9), aponta que o Alzheimer é hoje a segunda doença mais temida pelos brasileiros quando o diagnóstico envolve alguém próximo, ficando atrás apenas do câncer .
O levantamento entrevistou 2.002 pessoas com mais de 16 anos em todo o país, em dezembro do ano passado e mostrou que 4 em cada 10 brasileiros afirmam conhecer alguém com Alzheimer, o que ajuda a explicar por que a doença tem recebido cada vez mais atenção. Mesmo assim, especialistas alertam que o desconhecimento e o estigma ainda dificultam o diagnóstico precoce e o início do tratamento.
Câncer lidera lista de doenças mais temidas
Quando perguntados sobre qual diagnóstico mais assustaria caso atingisse um familiar ou amigo, entre Alzheimer, Parkinson, Aids e câncer, a maioria dos entrevistados apontou o câncer como principal preocupação.
Veja o ranking:
Câncer: 75%
Alzheimer: 13%
Aids: 9%
Parkinson: 1%
Apesar da distância em relação ao primeiro colocado, o Alzheimer já aparece como uma das principais preocupações de saúde entre os brasileiros. Segundo especialistas, o temor está relacionado principalmente aos efeitos da doença sobre a memória, a autonomia e a dinâmica familiar.
Falta de informação ainda influencia o medo
Para a geriatra Celene Pinheiro, presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), o receio do diagnóstico muitas vezes faz com que as pessoas evitem procurar ajuda médica.
Segundo ela, ainda é comum a crença de que perda de memória e demência fazem parte do envelhecimento natural, o que não corresponde à realidade.
A especialista explica que sinais como esquecimento frequente, confusão mental ou mudanças de comportamento devem sempre ser avaliados por um profissional de saúde.
Preocupação aparece até entre pessoas mais jovens
Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores foi o perfil dos participantes. A geriatra Claudia Suemoto, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), destaca que a idade média dos entrevistados é de 44 anos.
Apenas 22% têm 60 anos ou mais, faixa etária com maior risco de desenvolver demência. Mesmo assim, o Alzheimer aparece entre os maiores temores relacionados à saúde.
Para a médica, isso pode refletir o envelhecimento da população e o aumento do número de famílias convivendo com a doença. O levantamento indica ainda que 41% dos entrevistados conhecem alguém diagnosticado com Alzheimer.
Diagnóstico precoce precisa ser visto como prioridade
Embora 99% dos participantes afirmem que é importante procurar um médico diante de sinais da doença, a prática nem sempre acompanha essa percepção.
De acordo com a pesquisa, cerca de 60% acreditam que as pessoas demoram para buscar atendimento médico, enquanto 88% afirmam que a procura só ocorre quando os sintomas já estão avançados.
Quando questionados sobre qual enfermidade exige diagnóstico mais rápido para melhorar o tratamento, o Alzheimer foi citado por apenas 4% dos entrevistados, ficando bem atrás do câncer.
Especialistas ressaltam que essa percepção precisa mudar, já que identificar a doença precocemente pode retardar sua progressão e preservar a autonomia do paciente por mais tempo.
Subdiagnóstico ainda é um grande desafio
Outro problema relevante é o alto número de casos não diagnosticados . Dados do Ministério da Saúde divulgados no Relatório Nacional de Demências ( Renade ) indicam que cerca de 80% das pessoas com demência no Brasil não recebem diagnóstico.
O índice é superior ao registrado em outras regiões do mundo, como Europa (53,7%) e América do Norte (62,9%).
A demência é um termo que reúne diversas doenças caracterizadas pela perda progressiva das funções cognitivas, como memória, linguagem e capacidade de planejamento. O Alzheimer é a forma mais comum.
Entre os sinais que podem indicar alterações cognitivas estão a dificuldade de comunicação, esquecimentos frequentes, problemas para realizar tarefas do dia a dia e desorganização ou atrasos incomuns.
Especialistas recomendam procurar avaliação médica sempre que essas mudanças começarem a interferir na rotina, independentemente da idade.
Tratamento pode retardar evolução da doença
Embora ainda não exista cura para o Alzheimer, há tratamentos capazes de retardar a progressão dos sintomas.
Com o uso de medicamentos, prática de atividade física e estímulos cognitivos, muitos pacientes conseguem manter a autonomia e a vida social ativa por anos após o diagnóstico.
Para médicos e pesquisadores, ampliar a informação sobre a doença e incentivar o diagnóstico precoce são passos fundamentais para melhorar a qualidade de vida de pacientes e familiares.