
De janeiro a abril de 2026, o Ministério da Saúde contabilizou cerca de dois mil casos de meningite no Brasil. Esse quantitativo já supera o mesmo período do ano passado, que registrou 1.980 casos da doença no país, com 168 mortes. Segundo dados enviados pela pasta ao iG, os estados do Paraná e de São Paulo apresentam as maiores incidências gerais da enfermidade, com, respectivamente, 11,6 casos por 100 mil habitantes e 10,12 por 100 mil habitantes.
Em entrevista ao iG, o médico infectologista Eduardo Faria aponta que esse aumento pode ter relação com o "uso abusivo de antibióticos", que leva à resistência no tratamento de infecções bacterianas e sua persistência, causando um quadro de meningite.
Meningite: tipos e sintomas
A doença é caracterizada pela inflamação das meninges, membranas que envolvem a medula espinhal, podendo ser causada por vírus ou bactérias. No entanto, a meningite meningocócica é considerada a forma mais grave e de evolução rápida.
Entre os principais sintomas estão:

Em casos mais graves da doença, o Ministério da Saúde aponta que podem ocorrer confusão mental, convulsões e manchas na pele. Nessas situações, exige-se atendimento médico imediato.
À reportagem, o infectologista salienta que os exames para se diagnosticar a enfermidade são os de sangue, sendo os mais comuns o hemograma e a proteína C reativa. Além disso, avaliações por imagens e a punção LCR, em que se insere uma agulha na região lombar para coletar o líquor, auxiliam no diagnóstico mais preciso.
Ele [LCR] vai elucidar, na imensa maioria das vezes, a causa da meningite. Ou seja, se é viral ou bacteriana, estabelecendo, inclusive, o que causou a doença. Eduardo Faria, médico infectologista
Faixa etária mais afetada
Segundo o Ministério da Saúde, crianças menores de cinco anos e pessoas com 60 anos ou mais estão entre os grupos mais vulneráveis e podem apresentar complicações da doença.
O levantamento realizado pela Secretaria Estadual de Saúde do Paraná (SESA) aponta que a maior concentração de casos ocorre em menores de um ano, mas há registros pontuais em idosos acima de 60 anos.

Já no estado de São Paulo, em conformidade com o apurado pela Secretaria de Saúde, a faixa etária mais atingida pela meningite em 2026 foi a de pessoas com mais de 60 anos.
À reportagem, Eduardo Faria pontua que os sintomas da doença em crianças são semelhantes aos manifestados em pessoas com 60 anos de idade ou mais. No entanto, o médico ressalta que os sintomas da meningite costumam se manifestar de maneira mais intensa em menores.
O que dizem os estados citados
Apesar do indicativo do ministério, a Secretaria Estadual de Saúde do Paraná (SESA) afirmou à reportagem que os dados preliminares do estado indicam redução significativa nos indicadores da doença em 2026. De acordo com a pasta, entre a semana epidemiológica um e 10, o estado registrou 175 casos e cinco óbitos, o que significaria uma queda em comparação a 2025 (233).
Ainda de acordo com a SESA, os casos estão distribuídos entre as Regionais de Saúde (RS), com destaque para a 15.ª RS de Maringá, que reúne 34 casos e nenhum óbito, e a 2.ª RS Metropolitana, com 32 casos e 2 óbitos.
Em São Paulo, o cenário é de alerta. Conforme dados enviados ao iG pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-SP), entre janeiro e 22 de abril deste ano, foram registrados 901 casos de meningite em todo o estado, com maior concentração na Grande São Paulo, e cerca de 95 óbitos.
Vacinação é a principal prevenção
À reportagem, o Ministério da Saúde reforça que a vacinação é a principal forma de prevenção contra a meningite. Conforme a pasta, atualmente, são disponibilizadas no Sistema Único de Saúde (SUS) as vacinas meningocócica C e meningocócica ACWY, que protegem contra as principais meningites bacterianas.
Além disso, a pasta ressalta que, em 2026, houve a distribuição de vacinas em todo o país.
Entre 2025 e 2026, foram enviadas mais de 13 milhões de doses contra a meningite, sendo 6,8 milhões da meningocócica C e 6,6 milhões da ACWY. Desse total, mais de 2,4 milhões já foram aplicadas — cerca de 1 milhão da meningocócica C e 1,4 milhão da ACWY. Ministério da Saúde
Questionada sobre a cobertura vacinal no Paraná, a SESA respondeu que, neste ano, a imunização com a meningocócica C atingiu 97,9%, segundo dados parciais até março. A marca, de acordo com a secretaria, supera a meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde.
"Somente nos três primeiros meses deste ano, foram aplicadas mais de 62 mil doses em crianças menores de um ano e 30 mil doses de reforço".
Ao iG, a Secretaria de Saúde de São Paulo se limitou a dizer que as vacinas meningocócicas C e ACWY estão disponíveis em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), sem fornecer dados aprofundados sobre a questão.