
Pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, desenvolveram um implante de hidrogel produzido em impressora 3D que pode ajudar no tratamento da pressão alta sem necessidade de medicamentos.
O dispositivo, chamado CaroFlex, foi implantado na região da artéria carótida de ratos e conseguiu reduzir a pressão arterial dos animais em mais de 15% em testes de dez minutos.
Segundo os cientistas, o implante usa pequenos estímulos elétricos e não causou danos aos tecidos após duas semanas de observação. O estudo foi publicado na revista científica Device.
Segundo a universidade, a hipertensão afeta quase metade da população adulta dos Estados Unidos e é uma das principais causas de doenças do coração e da circulação. Entre esses pacientes, cerca de 10% têm hipertensão resistente, quando a pressão continua alta mesmo com o uso de vários medicamentos.
Segundo Tao Zhou, professor da Universidade Estadual da Pensilvânia e principal autor da pesquisa, muitos pacientes não conseguem controlar a pressão nem tomando de três a cinco remédios diferentes.
Os pesquisadores afirmam que dispositivos bioeletrônicos podem ser uma alternativa nesses casos. Esses aparelhos usam sinais elétricos leves para ajudar o próprio corpo a regular funções importantes, como a pressão arterial.

Como o implante funciona
O CaroFlex age estimulando um mecanismo natural do corpo que ajuda a controlar a pressão do sangue. Esse sistema funciona por meio de sensores nervosos presentes na parede das artérias, principalmente na região da carótida, no pescoço. Esses sensores percebem quando a pressão aumenta ou diminui e enviam sinais para o organismo ajustar o fluxo sanguíneo.
Os cientistas explicam que aparelhos semelhantes já existem, mas normalmente são feitos com materiais rígidos, como metal e plástico, e isso dificulta a adaptação ao movimento natural das artérias.
Segundo Zhou, com o tempo, isso pode causar desgaste tanto no aparelho quanto nos tecidos do corpo, já que as artérias se expandem e se contraem constantemente para bombear o sangue.
Para evitar esse problema, os pesquisadores criaram o CaroFlex usando um hidrogel impresso em 3D, um material macio parecido com gelatina. Uma parte do material conduz eletricidade e funciona como eletrodo. Já a outra parte ajuda o implante a aderir ao tecido sem ser tóxica.
Nos testes de laboratório, o implante conseguiu esticar mais do que o dobro do tamanho original antes de romper. O material adesivo também permaneceu estável mesmo após seis meses armazenado.
Segundo os pesquisadores, o CaroFlex apresentou melhor fixação nos tecidos e conexão elétrica mais estável do que eletrodos tradicionais feitos de platina.
Próximos passos
Depois dos testes em ratos, a equipe pretende ampliar os estudos e ajustar o funcionamento do implante antes de iniciar testes em humanos.
“Nosso laboratório está trabalhando no desenvolvimento de bioeletrônicos impressos em 3D para diferentes partes do corpo.” Tao Zhou, professor da Universidade Estadual da Pensilvânia
O pesquisador também disse que essa técnica de fabricação pode facilitar a produção e adaptação desses dispositivos para futuros testes clínicos e possível uso comercial.