João Doria e o diretor do Instituto Butantan%2C Dimas Covas%2C visitam obras da fábrica que produzirá a vacina Coronavac no Brasil
Eduarda Esteves/iG
João Doria e o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, visitam obras da fábrica que produzirá a vacina Coronavac no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, na manhã desta quarta-feira (11), a retomada dos testes da CoronaVac, vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. 

"A ANVISA informa que acaba de autorizar a retomada do estudo clínico relacionado à vacina Coronavac, que tem como patrocinador o Instituto Butantan", disse a agência, em nota.

Ainda de acordo com o pronunciamento no site da agência, o órgão "entende que tem subsídios suficientes para permitir a retomada da vacinação e segue acompanhando a investigação do desfecho do caso para que seja definida a possível relação de causalidade entre o EAG [evento adverso grave] inesperado e a vacina", continua o texto.  Confira a nota completa aqui. 

Entenda o caso

Os testes da terceira fase do estudo clínico da CoronaVac tinham sido suspensos pela agência na noite de segunda-feira (9). Na ocasião, a Anvisa disse, sem dar detalhes, que um "evento adverso grave" havia ocorrido. 

No dia seguinte, o Instituto Butantan, por meio do diretor Dimas Covas, disse estranhar a decisão da agência, porque o evento adverso se tratava de um "óbito não relacionado à vacina".

De acordo com o boletim de ocorrência, a causa da morte do voluntário que participava dos  testes da vacina CoronaVac foi suicídio.

Em uma coletiva de imprensa, na tarde da terça-feira (10), o diretor da Anvisa, Antonio Barra Torres, disse que no comunicado do Butantan não havia a informação sobre a causa da morte do voluntário dos testes da CoronaVac. Barra Torres destacou que a  suspensão dos testes foi "técnica" e baseada na falta de informações.

Por outro lado, o Butantan afirmou ter enviado duas vezes cópias das notificações à Anvisa sobre a morte do voluntário. O instituto alega que as informações sobre o caso foram enviadas pela primeira vez na sexta-feira (6) e reenviadas no começo da noite de segunda (9), horas antes de a suspensão do estudo ser comunicada à imprensa.

Ainda na noite da terça, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu um período de 48 horas para que o governo federal explique a decisão de suspender os testes da CoronaVac.

Comemoração do presidente Jair Bolsonaro

Ontem (10), o presidente  Jair Bolsonaro (sem partido) compartilhou em sua conta oficial do Facebook algumas das razões que justificariam a suspensão dos testes da vacina Coronavac pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Nas redes sociais, ele compartilhou a decisão que interrompeu os testes do imunizante contra a Covid-19 , criada pelo Instituto Butantan, do governo de São Paulo, em parceria com o laboratório chinês Sinovac. Em resposta a um internauta, Bolsonaro disse que "ganhou".

"Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Dória queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. O Presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha", escreveu o presidente.

Essa não é a primeira vez que a vacina do Butantan é motivo de politização entre o governo de São Paulo e o governo federal.

Ainda no fim de outubro, o Ministério da Saúde anunciou que compraria a vacina desenvolvida pelo laboratório chinês. Mas, 24 horas após a divulgação do acordo, a negociação foi desautorizada por Bolsonaro.

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