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Fabiana Rolfini
Vacinação contra a Covid-19


Enquanto o mundo registra mais de dois milhões de mortes causadas pela Covid-19 , com o Brasil correspondendo a 10% desse total, muitos obstáculos precisam ser superados pelo Ministério da Saúde para dar início, o quanto antes, à vacinação em massa a população contra o novo coronavírus.

Fazendo um cálculo básico, se o país quisesse imunizar todas as pessoas ainda em 2021, seria necessário aplicar  1,1 milhão de doses  desde o último dia 6. Mas, por quê a vacinação ainda não começou?

De acordo com Melissa Palmieri, coordenadora médica do Grupo Pardini e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Imunizações Regional São Paulo e da Vigilância Epidemiológica de São Paulo, a demora na compra de vacinas e insumos pelo governo federal, os acordos com poucos laboratórios, o atraso nos pedidos de autorização das doses no Brasil e o aumento no número de brasileiros antivacina são alguns dos entraves a serem vencidos .

"Nosso maior problema é operacional, acrescido de vários fatores que, juntos, formam um conjunto fundamental para o início da vacinação no Brasil", diz. 

Os entraves

O primeiro obstáculo destacado pela especialista é a demora para negociar e adquirir vacinas. "O governo federal vem sendo criticado por ter deixado outras farmacêuticas de lado e apostado todas as fichas na vacina de Oxford - que será produzida pela Fiocruz - e, recentemente, a Coronavac do Instituto Butantan. Mas era necessário que o Ministério da Saúde fechasse acordos com o maior número possível de farmacêuticas até começar a produção nacional."

O segundo está ligado diretamente ao primeiro: autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Oficialmente, há um prazo máximo de 60 dias para a aprovação ou não de uma vacina após o pedido feito pelas farmacêuticas, mas a própria Anvisa informou que cobrou o Instituto Butantan e a Fiocruz  por ainda não ter todos os dados necessários para análise e posterior liberação das duas vacinas. 

O terceiro obstáculo está na compra de insumos. Em julho, o governo federal chegou a ser pressionado pelo setor de insumos sobre a necessidade de agilizar a compra de seringas e agulhas, mas só abriu uma licitação apenas três dias antes de 2020 acabar. 

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Após falhar em um primeiro momento, no qual só adquiriu 2,4% dos 331 milhões de agulhas e seringas necessários, agora, o Ministério da Saúde precisará realizar novo pregão. A expectativa é garantir a entrega de 30 milhões de unidades em janeiro.

Mas tudo tem seu preço . "As próximas compras devem sair mais cara do que o esperado e com preço acima do que poderia ter sido pago no meio do ano passado. O mercado, hoje, vive falta de produtos em meio à alta demanda. Assim como faltaram álcool em gel e máscara no início da pandemia", explica Rodrigo Correia da Silva, CEO da Suprevida e especialista em Regulação e em Relações Governamentais.

O último impasse para a vacinação no país, porém, não é operacional: a força das fake news sobre boas parte da população brasileira. Recentemente, uma pesquisa realizada pelo PoderData mostrou que rejeição à vacina contra a Covid-19 vai de 19% para 28% em apenas um mês. Esse é o percentual que diz que "com certeza” não vai se imunizar contra a doença.

"Uma campanha de vacinação depende da adesão da população para funcionar: vacinas não são remédios e só funcionam se, no mínimo, 70% da população forem vacinados - sendo que o ideal é acima de 90%. Caso contrário, o vírus continua a circular", explica a médica Melissa.

Assim como ela, profissionais da saúde usam as redes sociais para alertar que o governo federal deveria já estar sensibilizando os brasileiros sobre a importância de aderir à vacinação contra a Covid-19 .

Luz no fim do túnel?

O país ainda não tem uma data oficial para início da vacinação. Nesta semana, prefeitos se encontraram com o ministro da Saúde e afirmaram que Eduardo Pazuello anunciou uma data: a próxima quarta-feira (20). 

Contudo, o início da imunização dos brasileiros depende de duas coisas : a chegada de  vacinas estrangeiras e a aprovação da Anvisa para uso emergencial da CoronaVac e vacina de Oxford. Em dezembro, o Ministério da Saúde já tinha previsto a vacinação entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro.



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