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Muitos têm ido para a porta de unidades básicas de saúde do Rio de Janeiro em busca dessas sobras de vacina
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Muitos têm ido para a porta de unidades básicas de saúde do Rio de Janeiro em busca dessas sobras de vacina

É comum que frascos de vacina contenham mais de uma dose. Os imunizantes contra a Covid-19 que já estão em uso emergencial no Brasil, por exemplo, vêm em recipientes multidose: a quantidade de substância em cada um deles pode ser aplicada em até 10 pacientes oficialmente (e, se bem utilizadas, chegam a servir para 12 pessoas).

Acontece que algumas fórmulas precisam ser utilizadas em até 6 horas depois que o frasco é aberto. É o caso da vacina Covishield, desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, no Reino Unido. Então, se o conteúdo não for aplicado nesse intervalo de tempo, será perdido.

E não se pode perder vacina contra a Covid-19 no momento atual, certo? Alguns cidadãos estão empenhados em evitar essa perda. Por isso, muitos têm ido para a porta de unidades básicas de saúde do Rio de Janeiro em busca dessas sobras de vacina. Enquanto apenas idosos podem receber as doses, não é ilegal que quem não pertence a esse grupo seja vacinado com as unidades não utilizadas. E ainda evita-se o desperdício do imunizante.

Os funcionários das unidades são orientados a só abrir um frasco se houver pelo menos dez pessoas no local para receber a substância. Quando há sobras de vacina, os pacientes presentes são convocados por ordem de idade. A escolha não é aleatória: uma nota técnica da prefeitura orienta que as equipes tentem não desperdiçar vacinas e convoquem cidadãos de grupos de risco se sobrarem doses.

Busca por vacinas é positiva

Gulnar Azevedo, professora de epidemiologia da Uerj e presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), elogiou o fato de a equipe de profissionais de saúde destinar as sobras de vacina a quem for mais velho. “Como a oferta é aquém do necessário, não pode haver desperdício”, diz.

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Para ela, a procura pela vacinação é positiva. “As pessoas estão exercendo sua cidadania, mas mantendo a solidariedade.” Gulnar reforça que é necessário um bom planejamento para garantir que pacientes que mais correm risco sejam vacinados primeiro. “Vamos precisar de muita comunicação para que todos se respeitem e colaborem.”

Fonte: O Globo

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