Investigado na CPI da Covid, o plano de saúde Prevent Senior ocultou mortes de pessoas que fizeram parte de um estudo realizado para testar a eficácia da cloroquina no tratamento da Covid-19. A pesquisa teria sido apoiada pelo presidente Bolsonaro.
Em documentos, a CPI da Covid tomou conhecimento de diversas irregularidades praticadas por médicos e ex-médicos do plano. De acordo com informações contidas no material, a disseminação da cloroquina e outros medicamentos como alternativas para o tratamento da Covid-19, foram resultados de um acordo entre o Ministério da Saúde e o presidente Jair Bolsonaro.
A GloboNews teve acesso a uma planilha com nome e informações dos participantes do estudo que começou no dia 25 de março de 2020. Nove pessoas moreram durante o teste. Entre elas, seis tomaram hidroxicloroquina e azitromicina, duas não se medicaram e um não é possível identificar se ingeriu ou não o medicamento.
Em mensagem publicadas em aplicativos, Fernando Oikawa, diretor da Prevent, orienta que os pacientes e familiares não sejam avisados sobre a medicação. A cloroquina resultou no dobro de mortes entre aqueles que ingeriram o remédio.
Um mês após o início do estudo, o presidente Bolsonaro publicou em sua conta no Twitter um texto mencionando cinco mortes entre os pacientes que não tomaram a medicação no estudo da Prevent Senior. Segundo ele, não houve óbitos entre aqueles que ingeriram a cloroquina.
A CPI ouviria o depoimento de Pedro Batista Júnior, diretor-executivo da Prevent Senior, nesta quinta-feira (16), mas ele não compareceu.