A quarentena na cidade de Xian ocorre ao passo em que vários países já registraram um rápido aumento de casos da variante Ômicron, o que provocou novas restrições na Europa
Stephen McDonell - BBC News, Pequim
A quarentena na cidade de Xian ocorre ao passo em que vários países já registraram um rápido aumento de casos da variante Ômicron, o que provocou novas restrições na Europa

Os 13 milhões de habitantes da cidade chinesa de Xian iniciaram, nesta quinta-feira, um confinamento rígido devido a um pequeno foco de Covid-19 a pouco mais de um mês dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim 2022. A quarentena ocorre ao mesmo tempo em que vários países já registraram um rápido aumento de casos da variante Ômicron, o que provocou novas restrições na Europa.

Apesar de registrar apenas dezenas de casos por dia — muito longe dos 100 mil do Reino Unido ou 60 mil da Espanha — a China aposta em uma estratégia de erradicação do vírus. Após a detecção de pouco mais de 100 casos em Xian, conhecida pelos ‘Guerreiros de Terracota’, os 13 milhões de moradores da cidade devem permanecer em casa.

Apenas uma pessoa por casa está autorizada a sair para fazer compras a cada dois dias, e todas as empresas consideradas "não essenciais" suspenderam as atividades. A abordagem de extrema precaução permitiu ao país asiático, onde o vírus foi detectado pela primeira vez há dois anos, manter o número de pessoas infectadas com o coronavírus em pouco mais de 100 mil.

Os Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim acontecerão com as medidas mais restritivas para um evento esportivo desde o início da pandemia: sem a presença de torcedores que moram em outros países e com todos os participantes dentro de uma "bolha" sanitária, que incluirá testes diários.

Essa não é a primeira vez que uma cidade chinesa passa por uma quarentena para conter a propagação do vírus. Em outubro, autoridades impuseram um confinamento na cidade de Lanzhou, de quatro milhões de habitantes, para conter um foco de Covid-19 depois de a China registrar 29 contágios locais dias antes da medida.

O Reino Unido superou o número total chinês de contagios em apenas um dia, com um recorde de 106 mil contágios na quarta-feira. A Espanha também registrou um recorde de infecções diárias, com mais de 60 mil casos, quase metade com a variante Ômicron. Diante dessa situação, o governo da Espanha, que tem uma das populações com maior taxa de vacinação da Europa, aprovou o retorno da obrigatoriedade do uso de máscara ao ar livre, medida que fora suspensa há seis meses.

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Com a multiplicação de casos, os governos retomam as restrições e tentam acelerar a vacinação com as doses de reforço, assim como a imunização das crianças de 5 a 11 anos. O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou contra a ilusão de que a administração de doses de reforço seria suficiente para acabar com a pandemia de Covid-19.

"Isso poderia até prolongar a pandemia ao invés de acabar com ela, ao desviar as doses disponíveis para países com altas taxas de vacinação, dando ao vírus mais possibilidades de se propagar e sofrer mutações" , explicou.

O caráter altamente infeccioso da nova variante pode neutralizar sua aparente menor gravidade, observada em um primeiro momento na África do Sul e agora reforçada por dois estudos britânicos, desenvolvidos na Escócia e na Inglaterra. Os estudos mostraram que as infecções com a variante Ômicron têm menos probabilidade de resultar em hospitalização em comparação com a variante Delta, e o estudo escocês indica que o risco de hospitalização é dois terços menor.

Apesar de sua aparente menor gravidade, a rápida propagação pode aumentar a base de pessoas infectadas, o que faria com que, em números absolutos, as hospitalizações e mortes com a Ômicron fossem iguais ou maiores do que com a variante Delta.

A nova variante foi detectada em 18 países e territórios das Américas, informou na quarta-feira a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), ao anunciar que o continente superou 100 milhões de casos de Covid-19 desde o início da pandemia.

De acordo com os dados mais recentes da organização, na última semana houve diminuição das infecções em partes da América Central e do Sul, mas foi constatado aumento no Caribe.

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