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Mais de 1,6 casos de sarampo foram registrados no País, conforme informou Ministério da Saúde; campanha de vacinação está próxima de atingir a meta

Além dos mais de 1,6 casos de sarampo confirmados, mais de 7 mil casos estão em investigação
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Além dos mais de 1,6 casos de sarampo confirmados, mais de 7 mil casos estão em investigação

Os casos de sarampo no Brasil não param de crescer. O último boletim epidemiológico apresentado pelo Ministério da Saúde na última segunda-feira (10) mostrou que em 5 dias , foram confirmados 94 casos da doença no País. Desde o início do ano até agora, 1.673 pessoas registraram a infecção.

Contudo, quase 80% dos casos de sarampo concentram-se no estado do Amazonas. São 1.326 registros da doença apenas lá. Outros 7.738 casos estão sendo analisados para confirmação.

Roraima é o segundo estado com maior número de registros, porém está bem abaixo do total registrado no Amazonas: são 301 casos da doença, sendo que 74 continuam em investigação.

“Os surtos estão relacionados à importação, já que o genótipo do vírus (D8) que está circulando no país é o mesmo que circula na Venezuela, país que enfrenta um surto da doença desde 2017”, diz a nota divulgada pelo Ministério da Saúde .

Há ainda alguns casos isolados e relacionados à importação identificados em outras unidades federativas: São Paulo (2), Rio de Janeiro (18); Rio Grande do Sul (18); Rondônia (2), Pernambuco (4) e Pará (2).

Até o momento, no Brasil, foram confirmados oito óbitos por sarampo, sendo quatro óbitos em Roraima (três estrangeiros e um brasileiro) e quatro no Amazonas (todos brasileiros, sendo dois do município de Manaus e dois do município de Autazes).

Mesmo com aumento de casos de sarampo, vacinação atinge meta

Aumento de casos de sarampo serviu de alerta para que a população buscasse a vacina
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Aumento de casos de sarampo serviu de alerta para que a população buscasse a vacina

A dois dias do final da Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomelite e o Sarampo, dados preliminares do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização (SI-PNI) indicam que a média nacional de vacinação está em 94,7% para o sarampo e 93,6% para a poliomielite.

Foram aplicadas em todo o país mais de 22 milhões de doses das vacinas (11,2 milhões de cada vacina). Onze estados atingiram a meta do Ministério da Saúde de vacinar, pelo menos, 95% do público-alvo, para as duas vacinas. Mais de 4 mil (72%) municípios do país cumpriram a meta.

Cerca de 800 mil crianças ainda não tomaram as vacinas contra as duas doenças. Na faixa etária de 3 e 4 anos, a cobertura vacinal está acima da meta, com 96,95% e 95,44%, respectivamente. A maior preocupação é com faixa de um ano de idade, cuja cobertura ainda está em 85,45%.

Os estados do Mato Grosso do Sul, Alagoas, Ceará, Goiás, Paraíba, Maranhão, Sergipe, Espírito Santo, Santa Catarina, Pernambuco, Rondônia e Amapá já atingiram a meta de 95% das crianças vacinadas.

O esforço dos profissionais de saúde e da população tem apresentado bons resultados em capitais como Recife (PE), Macapá (AP), Porto Velho (RO) e Vitória (ES), que superaram a meta da campanha. Manaus, que iniciou a vacinação antes devido ao surto de sarampo na região, também já vacinou 95% do público-alvo, com 103% de cobertura vacinal contra o sarampo, e de 95,23%, para a poliomielite.

A campanha de vacinação contra o sarampo e a pólio vai até esta sexta-feira (14).

Os gestores públicos têm até 15 dias para informar no SI-PNI quantas doses das vacinas foram aplicadas.

Leia também: Casos de sarampo na região das Américas chegam a 5 mil, de acordo com Opas

Mitos e verdades sobre as vacinas contra sarampo e pólio

Vacina é a maneira mais eficaz de prevenir casos de sarampo e pólio
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 18.8.18
Vacina é a maneira mais eficaz de prevenir casos de sarampo e pólio

1. "A volta do sarampo está ligada à crise na Venezuela"
Verdade . De acordo com o documento elaborado pelo Ministério da Saúde, os surtos da doença estão relacionados à importação. “Isso ficou comprovado pelo genótipo do vírus (D8) que foi identificado, que é o mesmo que circula na Venezuela”, diz a nota da pasta.

Devido à crise política e econômica, o governo da Venezuela deixou de vacinar a população e, ao receber imigrantes, o Brasil também passou a ficar exposto ao vírus.

Contudo, não é justo atribuir toda a culpa do retorno da doença à imigração, conforme pontua o secretário da Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm), Juarez Cunha. Afinal, o surto poderia ter sido controlado com a vacina, disponível gratuitamente na rede pública do País.

“Além da situação na Venezuela, o sarampo já tinha surtos registrados na Europa desde 2016. Com as quedas das coberturas vacinais e com doenças já eliminadas se aproximando do Brasil, o risco de surtos fica muito maior”, disse.

2. "A vacina contra sarampo é o único meio de evitar a doença"
Verdade. Segundo informações do Ministério da Saúde, a imunização é a única maneira de prevenir a doença. As doses são indicadas uma aos 12 meses de idade e a outra aos 15 meses.

3. "A poliomielite voltou"
Falso . Até o momento, não há indícios de um retorno da pólio. Segundo o secretário da SBIm, o último caso da doença no Brasil foi em 1989. Contudo, o especialista alerta sobre o problema que a falsa sensação de que a doença não oferece perigo pode causar.

“Apesar de ser uma doença eliminada nas Américas desde 1994, a poliomielite continua existindo no mundo. Com toda a facilidade de locomoção entre países, as chances de uma pessoa se contaminar e espalhar o vírus no Brasil existe e, se não houver cobertura vacinal, o risco fica iminente”, explica Juarez.

Um relatório divulgado em julho deste ano pelo Governo Federal mostrou que 312 cidades brasileiras correm alto risco por estarem com cobertura vacinal abaixo dos 50%.

O levantamento aponta ainda que todos os estados brasileiros possuem municípios que são considerados lugares de risco, com exceção de Rondônia, Espírito Santo e do Distrito Federal. Só em São Paulo, 44 cidades estão em alerta da doença. Municípios da Bahia e do Maranhão são os que menos imunizaram seus moradores nos últimos anos, com apenas 15% de cobertura vacinal.

4. "Adultos não pegam sarampo nem pólio"
Falso . Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, o risco é maior para crianças pequenas não vacinadas. Mulheres grávidas não imunizadas também estão em risco. No entanto, qualquer pessoa não imunizada pode se infectar.

5. "Só se pega sarampo uma vez na vida"
Verdadeiro . Quando uma pessoa contrai a infecção, o organismo desenvolve anticorpos que impedem uma nova contaminação. O mesmo acontece com catapora, rubéola e outras doenças.

6. "Adultos que já se vacinaram contra sarampo devem receber reforço”
Falso . Quem conseguir comprovar a vacinação contra o sarampo não precisa receber a vacina novamente.

Além disso, indivíduos com história pregressa de sarampo, caxumba e rubéola também são considerados imunizados contra as doenças, mas é preciso certeza do diagnóstico. Na dúvida, é melhor buscar a vacinação.

“Só não vai tomar a vacina quem tiver certeza que já foi vacinado ou teve a doença. E essa certeza é comprovada pelo comprovante na carteira vacinal ou exames que atestam sarampo. Se a pessoa não tiver, melhor ser imunizado. Só a história de que teve a doença ou recebeu a vacina não vale”, pontuou o especialista da SBIm.

7. "Adultos não podem tomar a vacina contra sarampo”
Falso . Apesar de a campanha ser voltada para o público infantil, adultos e adolescentes que não receberam a vacina podem buscar a proteção nos postos de saúde gratuitamente.

“Se a pessoa perdeu o comprovante da vacina e não tem certeza se tomou, o ideal é buscar a imunização. Não tem problema fazer doses a mais, caso a administração já tenha sido feita antes”, garante Juarez.

Para os adolescentes e adultos de até 49 anos há duas recomendações: segundo o Ministério da Saúde, pessoas de 10 a 29 anos devem receber duas doses da tríplice viral, enquanto pessoas de 30 a 49 anos só recebem uma dose da tríplice viral.

8. "Idosos e gestantes não podem se vacinar contra sarampo"
Verdade . Segundo o Ministério da Saúde, mesmo se a pessoa com mais de 50 anos não tenha certeza se tomou ou não a imunização, não há necessidade de recorrer à proteção. “Entende-se que, na infância dessas pessoas, como não tinha vacina, a chance delas terem tido a doença é grande, por isso não é preciso receber a dose”, avalia Cunha.

Já em relação às grávidas, a recomendação do Ministério da Saúde é que elas devem esperar para serem vacinadas após o parto.

Leia também: Europa registra mais de 41 mil casos de sarampo neste ano, afirma OMS

Para quem está se planejando engravidar, é ideal ter certeza de que está protegida. Nesses casos, um exame de sangue pode dizer se a pessoa já está imune à doença. Se não estiver, a vacina pode ser tomada um mês antes da gravidez.

É importante lembrara que a vacinação é a medida mais eficaz para prevenir casos de sarampo e poliomielite, segundo o Ministério da Saúde.

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