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Apesar de bater o objetivo de imunizar 95% do público-alvo, alguns estados e municípios continuam vacinando crianças de 1 ano e menores de 5 anos

Média de vacinação contra sarampo ficou em 95,3%, e a de poliomielite ficou em 95,4%
Marcelo Camargo/ABr
Média de vacinação contra sarampo ficou em 95,3%, e a de poliomielite ficou em 95,4%

Depois de mais de um mês desde o início da Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo e a Poliomielite, o Brasil conseguiu atingir a meta estipulada pelo Ministério da Saúde de imunizar 95% do público-alvo da ação, que  acabou na última sexta-feira (14).

Com o novo levantamento divulgado nesta segunda-feira (17) pela pasta, a média geral de vacinação contra sarampo foi de 95,3%, e a de poliomielite ficou em 95,4%. No total, 21,4 milhões de doses foram aplicadas, beneficiando 10,7 milhões de crianças entre um e quatro anos e nove meses.

A campanha, que inicialmente terminaria no dia 31 de agosto, chegou a ser prorrogada pelo Ministério da Saúde até semana passada. Contudo, alguns estados e municípios que ainda não conseguiram atingir a meta devem manter a vacinação.

A orientação da pasta, este ano, era de que todas as crianças com mais de 1 ano e menos de 5 anos de idade recebessem doses das vacinas, inclusive se já tivessem sido imunizadas anteriormente. Caso a criança já tivesse sido vacinada, a nova dose serviria, portanto, de reforço.

A medida foi adotada em um contexto de surtos de sarampo no país, registrados no Amazonas e em Roraima e que foram relacionados à importação de uma variedade do vírus causador da doença.

Segundo o governo federal, o genótipo do vírus (D8) que circula, hoje, no território brasileiro é o mesmo detectado na Venezuela, que enfrenta um alastramento da doença desde o ano passado.

O ministro da Saúde, Gilberto Occhi, destacou que o empenho da população e de profissionais de saúde foi fundamental para que se alcançassem os objetivos da campanha.

“O sucesso da campanha é responsabilidade de todos que entenderam a importância de mantermos elevadas coberturas vacinais para evitar que doenças eliminadas voltem a circular no país, como tem acontecido com o sarampo. A vacina é a forma mais eficaz de proteger nossas crianças contra essas doenças”, afirmou.

O sarampo e a poliomielite são doenças infectocontagiosas que podem resultar em complicações graves para as crianças, podendo levar até a morte. Entre as sequelas da poliomielite estão, por exemplo, paralisia de membros inferiores e de músculos da fala e de deglutição, osteoporose e atrofia muscular. Já o quadro de pacientes com sarampo, por sua vez, pode evoluir para doenças como pneumonia.

Vacinação contra sarampo e pólio por estado

Governo pretendia atingir 95% do público-alvo da campanha de vacinação contra sarampo e pólio, referente a 11,2 milhões de crianças
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 18.8.18
Governo pretendia atingir 95% do público-alvo da campanha de vacinação contra sarampo e pólio, referente a 11,2 milhões de crianças

Os números do ministério mostram variações da cobertura vacinal entre estados. Quinze deles atingiram a meta para as duas vacinas. Já São Paulo e Tocantins alcançaram o índice mínimo de 95% somente na vacinação contra pólio.

O Rio de Janeiro foi a unidade federativa com o pior desempenho da campanha, com uma cobertura de 83,3% contra poliomielite e de 84,4% contra sarampo, taxas que poderão ser melhoradas, já que a Secretaria de Saúde do estado decidiu  prorrogar a ação até o próximo sábado (22). Na sequência, aparece o Distrito Federal, com 88% e 87,5%, respectivamente.

De acordo com o Ministério da Saúde, 1.180 municípios não alcançaram a meta estabelecida pelo governo e cerca de 516 mil crianças ainda não tomaram as vacinas contra as duas doenças. A única faixa etária que não chegou ao índice esperado foi o de crianças de 1 ano, cuja cobertura está em 88%. Na última terça-feira (11), a abrangência vacinal dessa faixa etária se encontrava em torno de 85%.

Casos de sarampo

Vacinação contra sarampo e pólio foi prorrogada em alguns estados, como o Rio de Janeiro
shutterstock
Vacinação contra sarampo e pólio foi prorrogada em alguns estados, como o Rio de Janeiro

Boletim do Ministério da Saúde mostra que, até o dia 10 de setembro, 1.673 casos de sarampo haviam sido confirmados no Brasil. Do total, 1.326 foram confirmados no Amazonas , unidade federativa que soma, ainda, 7.738 ocorrências em investigação. No Amazonas, 301 casos da doença foram confirmados e 74 casos ainda estão sendo averiguados.

Alguns casos isolados da doença foram identificados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Pernambuco e Pará. Além disso, até o momento, no país, oito pessoas morreram em decorrência do sarampo, sendo quatro em Roraima e quatro no Amazonas.

Veja os mitos e verdades sobre sarampo e poliomielite

Segundo o Ministério da Saúde. vacinação contra sarampo é maneira mais eficaz de prevenir a doença
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Segundo o Ministério da Saúde. vacinação contra sarampo é maneira mais eficaz de prevenir a doença

1. "A volta do sarampo está ligada à crise na Venezuela"

Verdade . De acordo com o documento elaborado pelo Ministério da Saúde, os surtos da doença estão relacionados à importação. “Isso ficou comprovado pelo genótipo do vírus (D8) que foi identificado, que é o mesmo que circula na Venezuela”, diz a nota da pasta.

Devido à crise política e econômica, o governo da Venezuela deixou de vacinar a população e, ao receber imigrantes, o Brasil também passou a ficar exposto ao vírus.

Contudo, não é justo atribuir toda a culpa do retorno da doença à imigração, conforme pontua o secretário da Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm), Juarez Cunha. Afinal, o surto poderia ter sido controlado com a vacina, disponível gratuitamente na rede pública do País.

“Além da situação na Venezuela, o sarampo já tinha surtos registrados na Europa desde 2016. Com as quedas das coberturas vacinais e com doenças já eliminadas se aproximando do Brasil, o risco de surtos fica muito maior”, disse.

2. "A vacina contra sarampo é o único meio de evitar a doença"

Verdade . Segundo informações do Ministério da Saúde, a imunização é a única maneira de prevenir a doença. As doses são indicadas uma aos 12 meses de idade e a outra aos 15 meses.

3. "A poliomielite voltou"

Falso . Até o momento, não há indícios de um retorno da pólio. Segundo o secretário da SBIm, o último caso da doença no Brasil foi em 1989. Contudo, o especialista alerta sobre o problema que a falsa sensação de que a doença não oferece perigo pode causar.

“Apesar de ser uma doença eliminada nas Américas desde 1994, a poliomielite continua existindo no mundo. Com toda a facilidade de locomoção entre países, as chances de uma pessoa se contaminar e espalhar o vírus no Brasil existe e, se não houver cobertura vacinal, o risco fica iminente”, explica Juarez.

Um relatório divulgado em julho deste ano pelo Governo Federal mostrou que 312 cidades brasileiras correm alto risco por estarem com cobertura vacinal abaixo dos 50%.

O levantamento aponta ainda que todos os estados brasileiros possuem municípios que são considerados lugares de risco, com exceção de Rondônia, Espírito Santo e do Distrito Federal. Só em São Paulo, 44 cidades estão em alerta da doença. Municípios da Bahia e do Maranhão são os que menos imunizaram seus moradores nos últimos anos, com apenas 15% de cobertura vacinal.

4. "Adultos não pegam sarampo nem pólio"

Falso . Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, o risco é maior para crianças pequenas não vacinadas. Mulheres grávidas não imunizadas também estão em risco. No entanto, qualquer pessoa não imunizada pode se infectar.

5. "Só se pega sarampo uma vez na vida"

Verdadeiro . Quando uma pessoa contrai a infecção, o organismo desenvolve anticorpos que impedem uma nova contaminação. O mesmo acontece com catapora, rubéola e outras doenças.

6. "Adultos que já se vacinaram contra sarampo devem receber reforço”

Falso . Quem conseguir comprovar a vacinação contra o sarampo não precisa receber a vacina novamente.

Além disso, indivíduos com história pregressa de sarampo, caxumba e rubéola também são considerados imunizados contra as doenças, mas é preciso certeza do diagnóstico. Na dúvida, é melhor buscar a vacinação.

“Só não vai tomar a vacina quem tiver certeza que já foi vacinado ou teve a doença. E essa certeza é comprovada pelo comprovante na carteira vacinal ou exames que atestam sarampo. Se a pessoa não tiver, melhor ser imunizado. Só a história de que teve a doença ou recebeu a vacina não vale”, pontuou o especialista da SBIm.

7. "Adultos não podem tomar a vacina contra sarampo”

Falso . Apesar de a campanha ser voltada para o público infantil, adultos e adolescentes que não receberam a vacina podem buscar a proteção nos postos de saúde gratuitamente.

“Se a pessoa perdeu o comprovante da vacina e não tem certeza se tomou, o ideal é buscar a imunização. Não tem problema fazer doses a mais, caso a administração já tenha sido feita antes”, garante Juarez.

Para os adolescentes e adultos de até 49 anos há duas recomendações: segundo o Ministério da Saúde, pessoas de 10 a 29 anos devem receber duas doses da tríplice viral, enquanto pessoas de 30 a 49 anos só recebem uma dose da tríplice viral.

8. "Idosos e gestantes não podem se vacinar contra sarampo"

Verdade . Segundo o Ministério da Saúde, mesmo se a pessoa com mais de 50 anos não tenha certeza se tomou ou não a imunização, não há necessidade de recorrer à proteção. “Entende-se que, na infância dessas pessoas, como não tinha vacina, a chance delas terem tido a doença é grande, por isso não é preciso receber a dose”, avalia Cunha.

Já em relação às grávidas, a recomendação do Ministério da Saúde é que elas devem esperar para serem vacinadas após o parto.

Para quem está se planejando engravidar, é ideal ter certeza de que está protegida. Nesses casos, um exame de sangue pode dizer se a pessoa já está imune à doença. Se não estiver, a vacina pode ser tomada um mês antes da gravidez.

É importante lembrar que a  vacinação contra sarampo e pólio é a medida mais eficaz para prevenir casos das duas doenças, de acordo com o Ministério da Saúde.

*Com informações da Agência Brasil

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