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10 milhões reclamam que não conseguem dormir o suficiente durante a noite

A falta de sono já passou de algo raro para um problema que acomete boa parte da população. Segundo estudo de março de 2019 realizado pelo Datafolha em conjunto com o Instituto do Sono, 23% dos paulistas (cerca de 4,8% da população brasileira, ou 10 milhões de pessoas) se queixam de dormirem pouco - e existem diversos  tipos de insônia que podem ser os responsáveis por isso.

Homem sonolento tentando abrir o olho enquanto segura uma xícara de café arrow-options
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A falta de sono pode trazer consequências que vão do cansaço no dia seguinte até o Alzheimer no decorrer do tempo

As consequências para esses cidadãos variam de caso para caso, mas não são nada boas: desde fadiga até Alzheimer, a falta de sono pode trazer mais problemas para o seu organismo do que você imagina.

Como a falta de sono afeta o seu organismo

Não ter uma boa noite de sono traz problemas tanto a curto como a longo prazo para o seu organismo. Para compreender um pouco mais sobre a questão e ver o que pode ser feito para virar o jogo, confira o infográfico abaixo:



Os efeitos da falta de sono no curto prazo

No curto prazo, algumas das consequências de dormir pouco  são uma maior irritabilidade e um sentimento de ansiedade ou de tristeza, de acordo com Fábio Porto, neurologista do Hospital das Clínicas de São Paulo. 

Outra consequência, segundo o hipnoterapeuta e especialista em transtornos emocionais Charles Bueno, é a dificuldade em dormir. A dificuldade pode variar de pegar no sono como até acordar sentindo-se cansado, passando por problemas para dormir ininterruptamente ao longo da noite.

Além disso, a falta de sono também compromete o rendimento do indivíduo nas tarefas diárias. "Ocorrem alterações em memórias de curto prazo e alterações no desempenho em tarefas cognitivas e físicas", lembra Fernando Gomes, professor de neurocirurgia da Faculdade de Medicina da USP e coordenador do Grupo de Hidrodinâmica Cerebral do Hospital das Clínicas da FMUSP.

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Os efeitos da falta de sono no longo prazo

Já a longo prazo, as consequências de dormir pouco podem ser mais sérias, levando a disfunções principalmente nos sistemas nervoso e cardiovascular, responsáveis por inúmeras funções vitais.

No caso do sistema nervoso, Fernando cita como exemplos os quadros de estresse crônico e depressão. "Sem contar que, ao longo prazo, isso pode levar a uma alteração de memória definitiva, empurrando essas pessoas para um diagnóstico de demência na terceira idade", complementa.

Além da demência na terceira idade, outro risco para o esse sistema que resulta da falta de uma boa noite de sono é o desenvolvimento de Alzheimer e de outras doenças neurodegenerativas, como lembra Fábio Porto.

Quanto ao sistema cardiovascular, Charles destaca que ele pode ser gravemente afetado. "Estudos apontam que se você dormir menos de seis horas por noite e tiver um sono perturbado, tem uma chance 48% maior de desenvolver uma doença cardíaca ou morrer por causa dela", afirma.

Alguns exemplos dessas doenças cardiovasculares causadas pela falta de sono são o aumento do colesterol ruim, o aumento da pressão arterial e o desenvolvimento do diabetes. 

Outras consequências da falta de sono

Remédios e lenços de papel usados ao pé de uma mulher sentada no sofá arrow-options
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A falta de sono também afeta o sistema imunológico, deixando-o mais suscetível a doenças autoimunes e infecções

E se engana quem pensa que não ter uma boa noite de sono traz efeitos negativos somente para os sistemas nervoso e cardiovascular no longo e médio prazos. Outros sistemas, como o imunológico, também são afetados. Segundo os especialistas ouvidos pelo iG Saúde , estas são outras consequências de dormir pouco:

  1. Infecções e doenças autoimunes - com menos horas para regular os sistemas durante a noite, o organismo sofre alterações nos padrões das respostas imunes, tornando-o mais frágil;
  2. Alterações metabólicas - a privação do sono também atua sobre o metabolismo, podendo levar, por exemplo, à perda de massa muscular, já que a sintese proteica fica prejudicada;
  3. Mudanças genéticas - dormir pouco também pode alterar seu DNA, fenômeno estudado pela epigenética (a teoria de que fatores externos podem alterar o material genético inato). Segundo Fernando, essas alterações podem inclusive ser transmitidas para gerações posteriores; 
  4. Dores musculares - quanto menos você dormir, mais tenso seu corpo ficará, já que ele não conseguirá se recuperar totalmente. Isso leva a um cansaço da musculatura, que pode ser refletido também em dores musculares;

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Portanto, quando se flagrar pensando que uma hora a menos dormindo não fará a diferença, lembre-se que as consquências da falta de sono te afetarão negativamente agora e no futuro, podendo inclusive influenciar as gerações futuras da sua família.