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Utilizar a escova de dentes é essencial para cuidar da saúde bucal. No entanto, sem os devidos cuidados, ela pode trazer prejuízos à saúde

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Profissionais apontam quais cuidados você precisa ter com a escova de dentes no dia a dia e evitar prejuízos à saúde

Escovar os dentes é um hábito que faz parte da rotina dos brasileiros – e realizá-lo é fundamental para evitar o acúmulo de alimentos na boca e, assim, o surgimento de diversas doenças que podem afetar a saúde da região. Muito além de saber isso, é importante também ter alguns cuidados com a escova de dentes no dia a dia.

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Afinal, você sabe com qual frequência trocar a escova de dentes ? Ou como realizar a higienização do item de maneira correta? E também a importância da capinha protetora? Para ajudar a responder essas e outras questões, a reportagem do iG Saúde  conversou com dois especialistas. Confira!

1. Esquecer de trocá-la com frequência

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A escova de dentes tem um tempo de vida útil e saber respeitá-lo é essencial para evitar problemas na saúde bucal

A escova deve ser substituída, no máximo, a cada três meses. “Escovas novas garantem a mesma eficiência durante o ato da escovação dental, sendo este procedimento fundamental para auxiliar a manutenção da saúde dos dentes e gengivas no longo prazo”, diz Hugo Lewgoy, cirurgião dentista, mestre e doutor em Odontologia pela USP e diretor científico da Curaprox. 

É importante ressaltar que, com o passar do tempo, as cerdas acabam perdendo a rigidez e flexibilidade ideais. Quando isto ocorre, de uma forma quase inconsciente, aumentamos a força e, consequentemente, a carga durante o ato de escovação. Isto pode causar danos irreparáveis aos dentes e gengivas. 

Com isso, eles podem sofrer desgaste e retração. “Assim, a manutenção da mesma eficiência durante a escovação dental é de fundamental importância para prevenir danos aos tecidos orais, a exposição do colo dental e a hipersensibilidade dentinária (principalmente dor com o frio/água gelada)”, pontua Lewgoy. 

2. Deixar de fazer a limpeza correta

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Engana-se quem pensa que lavar a escova apenas com água é suficiente para deixá-la livre das bactérias

Lewgoy afirma que a limpeza, higienização ou desinfecção das escovas dentais é um assunto pouco abordado e discutido. “De forma geral, as pessoas não têm nenhum conhecimento sobre a necessidade da realização desta tarefa e, quando a realizam, geralmente a executam de forma incorreta”, aponta.

“A escova ideal é aquela que dificulta a contaminação e proliferação de microrganismos, ou seja, ela deve ter design clean, simples, uma superfície lisa, sem irregularidades ou reentrâncias e produzida com materiais não porosos. Além disso, ela deve ser desenvolvida com uma tecnologia que elimine os espaços existentes entre os tufos das cerdas da cabeça”, continua. 

Esses cuidados impedem o acúmulo de sujeiras e, consequentemente, de microrganismos. “Além da correta seleção da escova dental, alguns cuidados muito simples devem ser tomados para evitar a contaminação cruzada e a transmissão de doenças entre os indivíduos”, diz. 

 E vale ressaltar: a limpeza das escovas já se inicia antes mesmo do momento da escovação. 

  • Antes de se iniciar a higiene oral, as mãos e unhas devem ser muito bem lavadas e esfregadas com água e sabão; 
  • Faça um bochecho com água para eliminar resíduos de alimentos deve ser realizado. Isso diminui a chance da comida ficar presa entre as cerdas e sofrer uma decomposição posterior. Restos de alimento presos entre os dentes devem ser removidos antes da escovação com o auxílio do fio dental e de escovas interdentais; 
  • Após o término da escovação, todas as superfícies da escova devem ser lavadas com água corrente. Para remover o excesso de água, dê uma pequena batida na escova na palma da mão ou na borda limpa da pia do banheiro; 
  • Em seguida, aplique um antisséptico (borrifamento ou gotejamento) a base de clorexidina entre 0,12% a 0,20%, especialmente na parte das cerdas e protetor de cerdas; 
  • Coloque a capinha protetora que também  deve ter a sua parte interna embebida pela solução antisséptica;
  • Depois, a escova pode ser guardada sobre a pia ou no armário do banheiro. O antisséptico ficará agindo durante todo o intervalo entre as escovações para promover uma desinfecção eficiente.

Um ponto fundamental é que, antes da próxima escovação, a escova deve ser novamente muito bem lavada e enxaguada em água corrente, para a remoção dos resíduos do produto utilizado. 

3. Esquecer de usar a capinha protetora

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A capinha protetora é essencial e ajuda a evitar que as cerdas da escova de dentes fiquem contaminadas e sujas

A forma correta é guardar a escova dentro de capinha protetora, alerta Alexandre Cesar, dentista especializado em Implantodontia e Dentística Restauradora. “Isso evita que qualquer bactéria do meio externo tenha facilidade de ter contato com a escova, principalmente com as cerdas dela”, explica. 

“Se uma pessoa comeu açúcar e não lavou a escova direito após a escovação, ficam restos de açúcares e carboidratos nas cerdas da escova, e isso é alvo de insetos como moscas e baratas. O protetor deve ser lavado também, pois as cerdas encostam nele. E a escova deve ficar dentro de um armário ventilado, longe do vaso sanitário”, continua. 

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Além disso, há outro benefício. “As capinhas protetoras impedem o contato entre as cerdas de diferentes escovas dentais, quando essas são armazenadas todas juntas em um pote ou recipiente do tipo ‘guarda-escovas’, evitando também uma possível infecção cruzada entre os membros da família ou usuários do mesmo banheiro”, pontua Lewgoy.

4. Deixar uma escova encostada na outra 

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As escovas não podem ficar juntas e grudadas porque isso pode favorecer a contaminação cruzada e trazer prejuízos

Caso a escova não esteja bem limpa e encostar as cerdas em outra escova, sempre existe a possibilidade da contaminação cruzada por conta das bactérias da boca . A cárie, por exemplo, é uma doença infecciosa e pode ser transmitida para um novo indivíduo, além de todas os outros problemas que acometem a cavidade bucal. O mesmo acontece ao compartilhar o item. 

5. Não trocar a escova quando estiver doente  

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Especialista orienta que a escova de dentes seja trocada com mais frequência quando a pessoa está com alguma doença

O hábito da desinfecção rotineira das escovas dentais após a sua utilização pode contribuir para a prevenção de muitas doenças transmitidas pela boca. “Em casos especiais como, por exemplo, presença de infecções respiratórias, gripes ou outras doenças infecciosas, recomenda-se que as escovas sejam trocadas no início e após a cura dessas doenças”, diz Lewgoy. 

“No caso de indivíduos que sofreram grandes cirurgias e/ou transplantes e também no caso de pessoas imunossuprimidas e tratamentos de radioterapia ou quimioterapia, as escovas devem ser trocadas diariamente ou, no máximo, a cada dois dias a não ser que seja realizado um processo de esterilização profissional em autoclave”, completa. 

6. Deixar de prestar atenção na distância do vaso sanitário 

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É importante evitar dar descarga com a escova por perto, uma vez que elas podem ser contaminadas por coliformes fecais

Lewgoy cita que alguns estudos científicos comprovam que as escovas dentais que permanecem fora do armário do banheiro e/ou sem um protetor de cerdas podem ser contaminadas por coliformes fecais presentes no aerossol ou névoa que se forma após uma descarga potente do vaso sanitário.  

“Estes microrganismos presentes no ambiente podem se depositar e proliferar nas cerdas das escovas desprotegidas deixadas sobre a pia sem qualquer cuidado”, destaca o profissional. Por isso, deve-se usar a capinha para proteger as cerdas da escova de dentes , dificultar a contaminação cruzada e ter um grau maior de higienização. 

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“Deve-se enfatizar que estas capinhas de proteção devem sempre estar limpas e não podem conter proliferação de microrganismos (principalmente bactérias e fungos). Uma boa dica é sempre fechar a tampa do vaso sanitário antes de dar a descarga para evitar a formação do spray de microrganismos proveniente do vaso”, alerta o diretor científico.