CoronaVac produziCoronaVac produzidas pelo laboratório Sinovac
Reprodução/Twitter/Yang Wanming
CoronaVac produziCoronaVac produzidas pelo laboratório Sinovac


A variante Delta  da Covid-19 chegou ao Brasil e, pelo que indicam as primeiras análises, já se tornou autóctone no estado de São Paulo. Novamente, as eficácias das vacinas disponíveis têm sido colocadas em xeque -- sobretudo a da  CoronaVac , responsável por cerca de metade das imunizações no país. Por isso, o iG Saúde buscou profissionais para esclarecer algumas dúvidas recorrentes sobre a nova cepa e a vacina produzida pelo Instituto Butantan.

Recentemente, o presidente  Jair Bolsonaro (sem partido) voltou citar a CoronaVac e embasou suas críticas ao citar o  aumento de casos de Covid-19 no Chile. Paulo Rezende, médico infectologista e diretor do Hospital Santa Ana, explica que outros fatores devem ser considerados no caso do país, como o surgimento de novas variantes, a falta de distanciamento social e medidas de proteção.

"No caso chileno [a alta de casos e mortes] ocorreu em pleno pico epidemiologico com muitos não vacinados acometidos. Lembro que o objetivo da vacina também é diminuição da circulação do vírus, o que se consegue na progressão da cobertura e com isso a diminuição no surgimento de novas cepas variantes", afirma Rezende, encorajando a imunização com a vacina que estiver disponível.

No contexto brasileiro, Dr. Rezende usa como exemplo Serrana e Botucatu , cidades no interior de São Paulo que tiveram uma alta cobertura vacinal, sobretudo com a CoronaVac, e  viram uma queda significativa no número de infectados, internados e de óbitos pela Covid-19.

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A população tem ficado casa vez mais apreensiva ao acompanhar nos noticiários  casos de mortes de pessoas vacinadas com as duas doses da vacina. É preciso lembrar que nenhuma vacina, para qualquer doença, oferece 100% de eficácia. José Geraldo Leite, epidemiologista do Grupo Pardini, reforça isso e cita falhas vacinais de outras vacinas contra a Covid-19, como a Pfizer, que tem sido a mais procurada entre os brasileiros.

"Por isso afirmamos aqui no Brasil, várias vezes, que enquanto a doença não estiver controlada, aqueles que receberam as duas doses da vacina devem manter todos os seus cuidados -- uso de máscara, distanciamento social, evitar aglomeração, lavar as mãos", explica o médico. 

As falhas vacinais, salienta Leite, acontecem com qualquer vacina, e não apenas com a CoronaVac. "Não podemos atribuir, de forma alguma, o retorno da doença em um país que não atingiu a cobertura ideal a falhas vacinais ou ineficiência da vacina".

Sobre a variante Delta, Leite diz que, apesar de ainda não haver um estudo específico, pode haver uma diminuição da eficácia da CoronaVac, assim como ocorre com outras vacinas. "É uma diminuição da eficácia, e não ineficácia, principalmente para formas menos graves", explica. 

Por isso, tanto Paulo Rezende e José Geraldo Leite reforçam que a forma de nos protegermos contra a variante Delta da Covid-19 é fazer alta cobertura vacinal nos adultos e, no futuro, em adolescentes, com as vacinas que tivermos. "Todas as vacinas licenciadas pela Anvisa são eficazes", conclui Leite.

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