Governador João Doria recebendo dose da CoronaVac em maio de 2021
Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
Governador João Doria recebendo dose da CoronaVac em maio de 2021


O governador do estado de São Paulo, João Doria, anunciou nesta quinta-feira (15) que testou positivo para a Covid-19. O político contraiu a doença mesmo vacinado com as duas doses da vacina CoronaVac -- o que não significa que ela não funcione, explicam especialistas ao iG Saúde.

O médico especialista em saúde pública Lucas Bifano afirma que todas as vacinas contra a Covid-19 existentes até o momento têm grande eficácia em evitar que a doença evolua para a forma grave, mas não impedem que a doença seja contraída, apesar de reduzir as chances de isso ocorrer.

"A chance de a pessoa pegar a doença é menor, e a chance de que ela morra por causa da doença é menor ainda. Isso não quer dizer que a vacina seja ineficaz, ela cumpre seu papel ao evitar a morte, além de diminuir a chance de contágio", explica o Bifano. 

E Paulo Rezende, infectologista e diretor do Hospital Santa Ana, endossa isso. "As vacinas apresentam um nível de resposta com produção de anticorpos que oferecem proteção em níveis suficientes contra formas mais agudas das doenças", explica o médico, que salienta que os imunizantes contra a Covid-19  "têm cerca de 85% de eficácia contra doença grave e de 90% nos óbitos".

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Em janeiro deste ano, o Instituto Butantan anunciou uma eficácia geral de 50,38% da CoronaVac. O que significa que metade das pessoas vacinadas pode contrair a doença, mas de forma leve. Por isso, apesar de positivos para a doença, pacientes vacinados têm o risco muito menor de desenvolverem formas graves e de necessitar de internação, UTI ou oxigênio -- o que alivia, e muito, a ocupação nos hospitais públicos e privados.

Recentemente, em um  estudo que acompanhou 10,2 milhões de pessoas vacinadas com a CoronaVac no Chile, um grupo de cientistas constatou que a vacina tem 65% de eficácia geral (contra doença sintomática), 87% contra internação, 90% contra necessidade de UTI e 86% contra morte.

Afinal, o fato de Doria ter contraído a Covid-19 indica que a CoronaVac não funciona?

"De forma alguma, assim como ocorreu com o governador, outros pacientes também foram acometidos pela doença em sua margem de risco na sua eficácia, falamos em mais ocorrências destes escapes da Coronavac por ser a vacina mais incidente na utilização no nosso meio", explica Rezende.

"Os indicadores atuais de internação no Brasil e em outros países mostram que mais de 90% dos pacientes internados atualmente são pacientes que não receberam qualquer imunizante ou que não completaram o esquema", finaliza.

Bifano diz que, por já ter se vacinado com as duas doses, Doria tem menos chances de apresentar sintomas graves. "Quando vacinada, se a pessoa tem o contato com o vírus, o corpo já vai ter recursos para lutar contra a doença e, por isso, mesmo que a doença se instale e os sintomas apareçam, muito raramente ela evolui para um quadro grave."

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